Partido que delatou o mensalão volta a ter espaço no governo de Dilma

PTB, do ex-deputado Roberto Jefferson, vai ocupar a vice-presidência de governo do Banco do Brasil

Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

05 de junho de 2013 | 20h17

BRASÍLIA - O PTB do ex-deputado Roberto Jefferson, delator do mensalão, voltará a ter assento no governo. A presidente Dilma Rousseff decidiu nomear o presidente nacional do PTB, Benito Gama, para a vice-presidência de Governo do Banco do Brasil. A cadeira estava vaga desde a saída de César Borges (PR), que deixou o cargo em abril para ser ministro dos Transportes, na esteira de uma briga do PR para retomar o controle da pasta.

A escolha de Gama para a vice-presidência do Banco do Brasil foi comunicada hoje por Dilma ao governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), que esteve com ela no Palácio do Planalto. Com a nomeação, Dilma pretende amarrar o apoio do PTB à sua campanha pela reeleição, em 2014. Jefferson, porém, disse a correligionários que uma coisa nada tem a ver com a outra. Atualmente, há negociações do PTB com o PSDB do senador Aécio Neves (MG) e até mesmo com o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, possíveis rivais de Dilma, no ano que vem, na corrida ao Planalto.

Gama é baiano como César Borges e sua ida para o BB contou com o aval de Jefferson, que, em 2005, denunciou um esquema de compra de votos no governo Lula, em troca de apoio parlamentar. Ao julgar o processo de mensalão, no ano passado, o Supremo Tribunal Federal condenou Jefferson juntamente com réus petistas, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.

Apesar de compor a base aliada do governo Dilma, o PTB reclama há tempos da falta de cargos no primeiro escalão. Desde que Luiz Felipe Denucci - presidente da Casa da Moeda por indicação do PTB - foi demitido em meio a denúncias de corrupção, em fevereiro do ano passado, integrantes do partido de Jefferson se queixavam da falta de espaço na administração.

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