Partido de Kassab é 'uma incongruência', diz líder do PT

Para Paulo Teixeira criação do PSD é atitude 'personalista' do prefeito de São Paulo e programa da legenda não traz mudanças ao sistema político

Anne Warth, da Agência Estado

21 de março de 2011 | 13h42

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Teixeira (SP), disse nesta segunda-feira, 21, que a criação do novo partido do prefeito Gilberto Kassab, o Partido Social Democrático (PSD), é "uma incongruência" do sistema político brasileiro e uma atitude "personalista" do prefeito. "É uma incongruência. Por que ele precisa criar um novo partido? Qual era a questão programática que diferencia o partido dele dos demais?", questionou, após participar de debate sobre reforma política, promovido pelo Conselho Superior de Estudos Avançados, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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Para Teixeira, embora os partidos precisem passar por uma renovação que torne o ambiente partidário mais democrático, o atual sistema não impõe exigências para a criação de um partido político. "É tão fácil formar um partido como é mudar de camisa", afirmou. "Eu acho que deveria haver mecanismos que exigissem mais da formação de um partido. Essa exigência é baixa e isso precisa ser barrado". Na avaliação do líder do PT, o novo partido de Kassab é um exemplo dessas deficiências. "É um desejo personalista que não tem nenhum fundo programático".

O deputado disse ver "com bons olhos" a aproximação de Kassab com a base aliada do governo de Dilma Rousseff. "O fato dele participar da base, eu vejo com bons olhos, mas a formação de um novo partido, eu acho que enfraquece a democracia brasileira", afirmou.

Teixeira disse ainda ser contra a criação do "distritão, proposta de reforma política defendida pelo PMDB, por meio da qual os Estados se tornariam distritos eleitorais e os deputados mais votados seriam eleitos, eliminando-se, assim, o coeficiente eleitoral. "Somos contrários ao ''distritão'' porque ele ajuda a agravar problemas e as distorções ainda mais. Ele excede o poder econômico, aumenta o personalismo, favorece as oligarquias e enfraquece os partidos", afirmou.

O líder do PT defende o voto em lista, o financiamento público das campanhas eleitorais, a criação de federações partidárias em substituição às coligações e a maior participação direta da população por meio de referendos e plebiscitos.

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