Reprodução/Facebook
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Partido de Bolsonaro, Aliança pelo Brasil defende Deus, armas e oposição ao comunismo

Em discurso, o presidente disse querer que a nova legenda 'reze nossa cartilha': 'Assim atingiremos de verdade os nossos objetivos'

Mateus Vargas e Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2019 | 12h02
Atualizado 22 de novembro de 2019 | 10h08

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro lançou nesta quinta-feira, 21, o Aliança pelo Brasil, partido que ele deseja tirar do papel a tempo das eleições municipais de 2020.

O ato de fundação, exigência legal para que a legenda seja registrada pela Justiça Eleitoral, foi marcado por discursos em defesa de Deus e do uso de armas, além de ataques a movimentos de esquerda e a antigos aliados, como o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC).

Para ser registrado oficialmente e poder disputar eleições, ainda será necessária a coleta de 500 mil assinaturas, em pelo menos nove Estados. O prazo para que o partido seja registrado a tempo de concorrer nas eleições municipais do ano que vem é apertado e termina em março. A expectativa é de que o presidente da República possa ser o principal fator de mobilização para conseguir os apoios necessários.

No evento, realizado em um hotel em Brasília pago pelo suplente de um senador do PSDB, o futuro partido foi apresentado como conservador, comprometido com a liberdade e a ordem, soberanista e de oposição às “falsas promessas do globalismo”. O programa afirma que a sigla “reconhece o lugar de Deus na vida, na história e na alma do povo brasileiro”. Há ainda defesa da posse de armas.

Bolsonaro disse querer que a nova legenda “reze” sua “cartilha”. “Assim, atingiremos de verdade os nossos objetivos”, afirmou. Ele será o presidente do Aliança e seu primogênito, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido), o vice. Filho “03”, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) deve assumir a fundação que será vinculada ao partido.  A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e o filho “04”, Jair Renan, também fazem parte da comissão que assinou o ato de filiação. Apenas o vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PSC) não participou do evento ontem.

O programa tem os seguintes princípios:

  • - respeito a Deus e à religião
  • - respeito à memória e à cultura do povo brasileiro
  • - defesa da vida
  • - garantia de ordem e da segurança

A debandada do grupo político de Bolsonaro do PSL ocorre após divergências com o presidente da sigla, deputado Luciano Bivar (PE). O PSL deixou de ser nanico após eleger 52 deputados no ano passado – deve receber algo próximo de R$ 1 bilhão em recursos públicos até 2022. A intenção do grupo do presidente era afastar Bivar para poder dar as cartas na distribuição do dinheiro.

A expectativa é de que pelo menos 20 parlamentares eleitos pelo PSL acompanhem Bolsonaro no Aliança. Até agora, porém, apenas Flávio Bolsonaro pediu a desfiliação. Os deputados ainda buscam uma brecha jurídica para tentar migrar sem o risco de perder o mandato por infidelidade partidária. 

Responsáveis pela estratégia jurídica para a criação do Aliança, os advogados Admar Gonzaga (secretário-geral) e Karina Kufa (tesoureira) também farão parte da direção.

‘Anticomunismo’

Karina Kufa foi a primeira a falar no evento, ao detalhar os “princípios” do partido. “O povo deu o norte da nova representação política. Em 2019, novo passo precisa ser dado. Criar partido que dê voz ao povo brasileiro”, afirmou a advogada.

Segundo ela, o partido “se esforçará para divulgar verdades sobre crimes do movimento revolucionário, como comunismo, globalismo e nazi-fascismo”. Disse ainda que a sigla estabelecerá relações com partidos e entidades de países que “venceram o comunismo”, como os do leste europeu. “O Aliança pelo Brasil repudia o socialismo e o comunismo”, afirmou Karina. “A nossa bandeira jamais será vermelha”, reagiu a plateia.

“Acreditamos que será o partido que traçará uma aliança para um Brasil sem corrupção, mais transparente, melhor para todos”, disse o advogado Wesley Toledo, que saiu na terça-feira de carro de Londrina para participar do evento em Brasília.

Ao discursar no lançamento do Aliança, Bolsonaro afirmou que pode acolher candidatos às eleições municipais de outras siglas, caso o Aliança não saia do papel a tempo. Horas antes, o presidente havia dito que não ia “entrar” na disputa municipal sem o próprio partido.

Não faltaram também ataques a ex-aliados do bolsonarismo vistos como “traidores”, como o deputado Alexandre Frota (PSDB-SP) e Witzel. Para Bolsonaro, o governador do Rio tem “obsessão” para se tornar presidente. “(Witzel) tenta destruir quem está do meu lado usando a Polícia Civil do Rio”, declarou. Disse ainda que a sua vida se tornou “um inferno” por causa de Witzel.

Uma das ideias de Bolsonaro é colher assinaturas em plataformas digitais, o que depende de aval do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Crítico do voto eletrônico, ele questionou, mais cedo: “O voto pode, assinatura não pode? De acordo com a decisão, a gente vai saber se forma para março ou para o final do ano que vem.”

Em parecer ao TSE, o vice-procurador-geral Eleitoral, Humberto Jacques, se manifestou contra a coleta de assinaturas digitais para criar siglas.

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