Partido com ex-verdes apoiará Dilma Rousseff em MG

O Livre é formado por ex-integrantes do PV que deixaram o partido no fim do ano passado após o ingresso da senadora Marina Silva

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo

20 Maio 2010 | 16h29

BELO HORIZONTE - Um grupo político baseado numa dissidência do PV realizará um encontro em Belo Horizonte no próximo sábado, 22, para formalizar apoio à presidenciável do PT, Dilma Rousseff. Anunciado como um partido político em processo de legalização, o Livre é formado por ex-verdes - que deixaram o partido no fim do ano passado após o ingresso da senadora e pré-candidata à Presidência, Marina Silva - e militantes diversos.

 

O ato na Câmara Municipal da capital mineira está sendo tratado como o primeiro encontro nacional da futura agremiação. Os dissidentes já se reuniram com o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, e solicitaram um assento na coordenação da campanha presidencial da pré-candidata do partido. O presidente do PT-MG, deputado federal Reginaldo Lopes, foi convidado para participar do encontro.

 

Para Anderson Pomar, ex-integrante do PV, o apoio a Dilma é um "viés natural", já que o grupo conta também com ex-militantes de partidos de esquerda e centro-esquerda. Em 2008, o grupo dissidente tentou emplacar o atual ministro da Cultura, Juca Ferreira, na presidência do PV, mas foi derrotado.

 

Segundo Pomar, cerca de 250 militantes deixaram o partido no fim de 2009 descontentes com uma revisão programática após a filiação de Marina e seu grupo.

 

O Livre defende bandeiras polêmicas como a descriminalização da maconha e do aborto, a união civil entre pessoas do mesmo sexo, entre outras. "Quando a Marina entrou no partido a gente sentiu que haveria uma reforma programática e algumas discussões que a gente colocava como pontuais para o Partido Verde acabaram saindo de pauta ou foram jogadas para debaixo do tapete", disse Pomar.

 

André Fernandes Gomes de Souza, secretário de Comunicação do grupo, disse que já foram recolhidas cerca de 70 mil assinaturas para o registro do novo partido junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São necessárias quase 500 mil assinaturas. De acordo com Souza, o Livre - cuja sigla significa Liberdade, Igualdade, Verdade, Responsabilidade e Educação - já possui representação em 15 estados. A legenda espera participar com candidatos nas eleições de 2012.

 

Multipartidarismo

 

O presidente do PV-MG, Ronaldo Vasconcelos, minimizou a importância do ato em Belo Horizonte. "Eu não chamaria nem de dissidência, mas de alguns ex-membros do PV. Isso não nos preocupa", disse. "Sou democrata por excelência, mas acho que o Brasil já não vive nem um pluripartidarismo e sim um multipartidarismo. Não vejo a necessidade de mais partidos."

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