Parte do PTB diz a Berzoini que vota contra reforma da Previdência

Em debate na bancada do PTB na Câmara, o ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, ouviu reclamações, cobranças e o anúncio de voto contrário à proposta de reforma de um dos deputados do partido, embora o partido faça parte da base aliada do governo. O deputado Jair Bolsonaro (PTB-RJ), capitão de reserva e polêmico por suas declarações contra o Congresso e parlamentares de esquerda, afirmou que já sofreu muito por atitudes do PT no passado. "Vocês massacraram os deputados que votaram a favor dessa proposta (reforma Previdenciária). Não quero mais ver essa história da CUT (Central Única dos Trabalhadores), do PT, com essas mentiras todas para chegar ao poder", disse Bolsonaro. Com o início da tramitação das reformas, aguçou entre os aliados do Planalto o temor de serem prejudicados eleitoralmente pela votação de medidas impopulares. O deputado aumentou o coro dos que reclamaram da prática usada pela oposição no governo passado de montar painéis em locais públicos com nome de parlamentares que votassem a favor das reformas sob o título de "traidores". Ao anunciar ao ministro que votará contra a proposta, Bolsonaro deixou claro: "Eu não votarei jamais sem o critério político. Não sou técnico, sou político. Se o partido achar que estou sendo demais, que me tire. Continuarei na minha posição contrária à reforma da Previdência", afirmou Bolsonaro, que integra o partido da base aliada. Antes de Bolsonaro, o deputado Jackson Barreto (PTB-SE), argumentou com a necessidade de o governo fazer uma campanha na TV para divulgar a proposta de reforma da Previdência, reafirmando uma preocupação de alguns deputados da bancada com a impopularidade que o apoio e o voto a favor da reforma da Previdência podem causar ao futuro político dos parlamentares. A intervenção do deputado José Múcio Monteiro (PTB-PE) na reunião da bancada do PTB na Câmara com o ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, provocou um momento de desconforto ao ministro. Ao defender a necessidade de o governo esclarecer melhor a proposta à opinião pública, José Múcio disse que quase não se reelegeu por causa da campanha da CUT. Ele contou que, como relator do projeto que flexibilizava a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) no governo passado, foi vítima de uma companha ideológica na eleição. "Deputados respeitados não voltaram porque a CUT disse que íamos tirar os direitos dos trabalhadores. Eu, como relator, quase não estou aqui", disse ao ministro, provocando uma discussão paralela. Em resposta, Berzoini disse estar convencido de que "a reforma renderá apoio político e popular para o presidente da República e para os parlamentares" que a apoiar e reafirmou sua posição contra a proposta de flexibilização da CLT do governo anterior. "Votei contra a proposta da CLT e repetiria o voto. Aquela reforma flexibilizava demasiadamente os direitos dos trabalhadores", disse o ministro, sendo interrompido por José Múcio. "Sobre a CLT, mantemos nossas posições. Não vamos discutir isso. Estamos trabalhando juntos", afirmou o deputado, encerrando a polêmica.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.