Parte do PT de Pernambuco apoia candidato do PSB

Parte do PT de Pernambuco apoia candidato do PSB

Tendência Lutas e Massas migra para lado de Paulo Câmara, do PSB, contrário ao candidato da aliança entre PT e PTB no Estado

ANGELA LACERDA e Fabio Vendra, Estadão Conteúdo

29 de setembro de 2014 | 16h25

Atualizada às 21h10

A corrente do PT Lutas e Massas (PTLM), tendência interna do Partido dos Trabalhadores, declarou apoio a Paulo Câmara, do PSB, adversário direto de Armando Monteiro Neto, do PTB, candidato que tem o apoio oficial do PT na disputa pelo governo de Pernambuco. O episódio foi classificado por parte da cúpula petista como “indisciplina partidária” e pode acarretar sanções ao grupo dissidente.

A atitude inédita da corrente causou repúdio em lideranças da legenda. “Isso é um absurdo. Não encontra respaldo em nenhuma instância do PT”, disse ao Estado o coordenador nacional da tendência PTLM e vice-presidente nacional do PT, Jorge Coelho. “Na nossa corrente isso nunca aconteceu.”

Coelho ressaltou que seu descontentamento com a situação se deve, a princípio, ao fato de que os integrantes do grupo em Pernambuco discutiram o assunto sem consultar a coordenadoria nacional. “Se eles tivessem nos procurado, eu poderia intermediar as negociações e evitar que isso acontecesse”, disse. “Esse tipo de postura não condiz com nossa corrente. Cometeram uma indisciplina partidária, ferindo princípios sagrados no PT.”

O comando da tendência vai se reunir para debater o que será feito com os dissidentes. “Vamos fazer um debate com os companheiros para ver quais sanções eventualmente serão adotadas”, afirmou Coelho. “Minha intenção é demovê-los dessa atitude.”

Em nota oficial divulgada no fim da tarde desta segunda-feira, 29, Coelho afirma que “a coordenação nacional da tendência interna do PTLM (Partido de Lutas e Massa) vem às instâncias do partido e a publico dizer que não reconhece como legítimas nem corretas as posições políticas tomadas pelo grupo no Estado de Pernambuco”. E prossegue: “Divergir é um direito, não respeitar as decisões das instância é indisciplina partidária. Em nenhum momento os companheiros de Pernambuco nos procuraram para expor suas opiniões”. E finaliza: “Estranhamos muito esse tipo de atitude, e queremos reafirmar nosso apoio à decisão do Encontro partidário que definiu a política de aliança. Todo apoio ao candidato Armando Monteiro, como também ao companheiro João Paulo de Lima ao Senado.”

A ruptura do PTLM com a coligação local também provocou reação do PT estadual. Em nota, a coordenação do partido em Pernambuco classificou a atitude da tendência de “inaceitável e inadmissível” e “uma afronta às decisões legítimas” do partido.

“É uma decisão apequenada, típica dos que priorizam seus interesses em detrimento do projeto de mudanças que o PT lidera”, afirmou Teresa Leitão, presidente estadual do PT-PE. A nota diz ainda que a tendência interna é “um grupo minoritário que escolheu fazer o jogo dos adversários” e “trai a candidatura Dilma”.

Contexto. O candidato do PSB ao governo de Pernambuco, Paulo Câmara, iniciou a campanha em franca desvantagem, mas ultrapassou o adversário Armando Monteiro Neto, do PTB, de acordo com as pesquisas de intenção de voto. A última rodada do Datafolha mostrou Câmara com 43% ante 34% de Monteiro Neto.

A virada teve início com a morte do padrinho político e presidenciável Eduardo Campos, em 13 de agosto. A campanha do PSB usa a comoção pela tragédia em favor dos seus candidatos.

Responsável pela coordenação da campanha da presidente Dilma Rousseff no Recife e membro da executiva nacional, Gilson Guimarães, integrante da tendência, reclamou que a campanha petista estava “escondendo Dilma” nos últimos 15 dias, e só voltou a assumir a candidata depois que ela começou a subir nas pesquisas. O PTLM afirma manter o apoio à reeleição de Dilma.

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