´Parlamento devia dar exemplo´, diz Suplicy sobre reajuste

O senador petista Eduardo Suplicy (SP) criticou a decisão dos presidentes da Câmara e do Senado em assinar um ato conjunto elevando o salário dos parlamentares em quase 100%. "O mais adequado seria um reajuste próximo ao aumento do custo de vida. Eu disse isso aos presidentes Renan (do Senado, Renan Calheiros) e Aldo (da Câmara, Aldo Rebelo) nesta manhã", emendou. E continuou: "Levando em conta as muitas necessidades prementes e os ajustes modestos (da classe trabalhadora), o parlamento deveria dar o exemplo." Suplicy destacou, ainda, que está preocupado com a repercussão dessa medida na opinião pública. "Acho que (o aumento) não será muito bem recebido." O deputado federal eleito José Aníbal (PSDB-SP) também criticou a decisão do Congresso. "Isso me abateu profundamente, porque eu achei que eles teriam o pudor de não mexer nos salários dos parlamentares. Lamento profundamente (a decisão) e tenho a utópica esperança de que essa insanidade possa ser revista", reiterou. Aníbal, que exerce atualmente o cargo de vereador em São Paulo, disse também que essa medida pode ser classificada como uma antevisão do que será a próxima legislatura no Congresso. "Que autoridade moral, ética e política o parlamento poderá ter para votar, por exemplo, medidas que impliquem em cortes de despesas ou de desperdício, se o exemplo que se está dando com esse aumento é justamente o oposto?" Como membro da nova legislatura que tomará posse em 2007, Aníbal disse que não poderia ter recebido "notícia pior". E voltou às críticas: "Com este aumento, eu acredito que o presidente Lula (presidente reeleito pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva) deve estar alegre porque imagina que vai dispor de um parlamento predisposto ao mensalão." Na avaliação do tucano, este aumento de salário favorece aqueles que não tem compromisso com a democracia. "O Brasil quer um parlamento que dê exemplo e não um parlamento que faça o País afundar."

Agencia Estado,

14 Dezembro 2006 | 18h47

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