Parlamentares voltam a falar em aumento de salário

Os parlamentares devem se inspirar no aumento de 59% concedido aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para reajustar o próprio salário, no ano que vem. O efeito cascata é admitido por boa parte de deputados e senadores. Até mesmo pelo vice-lider do governo, deputado Ricardo Barros (PPS-PR), contrário ao aumento, por achar incoerente a decisão de aumentar a folha de pagamento sem que haja previsão de recursos extras no caixa do governo. "Estamos puxando demais a corda", alega.Barros prevê que os servidores do Executivo, não beneficiados pelos projetos aprovados pela Câmara e Senado, também vão brigar para aumentar o valor do contracheque. Ele teme que o saldo final fique maior do que os R$ 9 milhões previstos para investimentos no Orçamento da União deste ano. "Vamos ter de fazer muitos cortes para pagar os aumentos", prevê.Os projetos que reajustaram os salários dos juízes federais, de integrantes do Ministério Público da União, de algumas carreiras do Executivo e dos ministros do STF foram aprovados em regime de urgência, num prazo ímpar. Receberam o aval dos deputados na noite de quarta-feira e já na manhã de hoje foram aprovados no Senado. O salário máximo dos magistrado passará de R$ 14,1 mil para R$ 17,1 mil. Os parlamentares sabem que o discurso sobre a isonomia salarial no País não saiu do papel. Não teriam, portanto, obrigação de aumentar o próprio salário. Mas concordam que o reajuste concedido aos ministros do STF vai influenciá-los. "Senão vai ficar um descompasso entre os vencimentos do Judiciário e o do Legislativo", argumenta o senador Roberto Saturnino (PSB-RJ). Segundo ele, o ideal seria elevar os salários de todos os servidores "que há oito anos recebem a mesma coisa". O líder do PFL na Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PE), lembra que cabe a eles, parlamentares no exercício do cargo, estipular o salário da próxima legislatura, que começa dia 1º de fevereiro. Mas defende que isso seja feito apenas em janeiro e num porcentual menor do que os dos magistrados. "O Congresso é muito vulnerável, daí o cuidado que se deve ter com isso", alega. O presidente do PPS, senador Roberto Freire (PE), admite que o aumento influenciou os parlamentares. "As instituições brasileiras estão sempre em busca do efeito cascata", argumenta. O presidente do Senado, Ramez Tebet (PMDB-MS), assegura que não apóia o aumento dos salários dos parlamentares, mesmo reconhecendo "a disparidade" entre o futuro contracheque dos ministros do STF e os R$ 8 mil brutos que recebe mensalmente. O Primeiro secretário da Casa, senador Carlos Wilson (PTB-PE) assegura que não há nenhum articulação em andamento para aumenta os vencimentos. Até porque, lembra que a lei é clara, ao estipular que os congressistas só podem legislar sobre os reajustes salariais da próxima legislatura.

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