Parlamentares reagem com ceticismo a corte no Orçamento

Deputados e senadores reagiram com ceticismo ao anúncio feito pelo governo de que vai cortar R$ 5,3 bilhões no Orçamento deste ano para compensar a perda de arrecadação com o atraso na aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Para os parlamentares, o Palácio do Planalto usou este artifício apenas para pressionar a aprovação o mais rápido possível da CPMF no Senado. E para evitar reações iradas no Congresso, o secretário-geral da Presidência, Euclides Scalco, telefonou hoje pela manhã a cada um dos líderes da base aliada para comunicar antecipadamente os cortes que seriam anunciados pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, no início da tarde. Na conversa, Scalco avisou os líderes que a situação era grave e que os cortes "deviam ser encarados como uma necessidade diante da perda de receita da CPMF". "Não acho bom fazer cortes, mas o governo tem responsabilidade com o ajuste fiscal. Espero que com a aprovação da CPMF, o governo possa fazer a revisão nesses cortes e até no aumento do IOF", disse o presidente da Câmara, deputado Aécio Neves (PSDB-MG). O líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), também disse que, assim que a CPMF for aprovada, os cortes serão revistos. "Tínhamos de cortar porque não podemos gastar o que não temos; senão viramos a Argentina", observou. O líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA), porém, acha que o corte não é para valer. "Teria significado se o governo tivesse a tradição de executar o Orçamento, como isso é dinheiro que nunca será liberado, estão cortando o vento", afirmou. E argumentou que a estratégia do governo é equivocada. "Se querem pressionar o PFL a votar uma medida boa para País, acionem a opinião pública", disse o peemedebista. E conclui: "Isso é coisa para banqueiro ver". Para o deputado Delfim Netto (PPB-SP), o ministro Malan não fez mais do que sua obrigação e ficou provado que é possível trabalhar sem aumentar impostos para tomar o dinheiro do povo. "Até podemos acabar com a CPMF porque se esse dinheiro ficar nas mãos dos particulares será muito mais bem administrado do que pelo governo", argumentou. Já o líder do PFL na Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PE), considerou um "absurdo" os cortes, em especial o R$ 1 bilhão retirado do Fundo de Combate à Pobreza. "O governo sabe agora o que é não ter o apoio do PFL, porque Fernando Henrique passará para a História como o presidente que, com a ajuda de nosso partido, aprovou tudo no Congresso a custo zero". Segundo ele, o presidente "é o rei da lábia". Por isso mesmo, disse Inocêncio, "não deveria dar aulas em Harvard e na Sorbonne, mas para os encantadores de serpentes da Índia". O líder do PSDB na Câmara, deputado Jutahy Magalhães Júnior (BA), disse que os cortes são conseqüência do atraso na votação da CPMF. "Infelizmente tivemos uma situação em que todos os setores foram cortados e o ideal era que não tivéssemos esse prejuízo", argumentou o tucano. "Esses cortes são um absurdo e a impressão que tenho é que os cortes não passam de ameaça para que o Senado vote com rapidez a CPMF", concluiu o líder do PT na Câmara, deputado João Paulo Cunha (SP).

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