Parlamentares reagem a desafio de trocar salário com STF

Parlamentares governistas e de oposição reagiram nesta segunda-feira às declarações do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Eleitoral (STF), Marco Aurélio Mello, que desafiou os deputados e senadores a trocarem de salário com ele. Vantagens de parlamentares, segundo Marco Aurélio, são três vezes maiores do que recebe um ministro do STF. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), evitou polemizar e anunciou que o reajuste salarial dos deputados não é mais uma prioridade da pauta de votações. Mas houve quem condenasse as declarações de Marco Aurélio. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse que é preciso comparar benefícios e vantagens adicionais que recebem tanto os ministros do Supremo quanto os congressistas. "Moradia, carro com motorista e viagens, todos nós temos", afirmou o petista. "Vamos esclarecer de uma vez por todas, quais são os nossos e os adicionais do Supremo." O líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP), classificou as declarações de Marco Aurélio como "arroubos que não ficam bem com a respeitabilidade do cargo de ministro do Supremo". O tucano lamentou: "Esse assunto salarial é bastante sério e temos de voltar a enfrentar essa questão." Abrir caixas pretas O líder do PR, Luciano Castro (RR), tentou justificar os gastos dos parlamentares, alegando que a verba de gabinete de cerca de R$ 50 mil mensais é para pagar funcionários e a verba indenizatória de R$ 15 mil por mês é para que os parlamentares custeiem despesas em seus Estados. Ele fustigou: "O meu cargo não é vitalício. Somos submetidos a um julgamento de quatro em quatro anos." "Nós não precisamos fazer nem competição nem desafio. O que estamos precisando é verdadeiramente abrir as caixas pretas para que a sociedade conheça a realidade de todos os Poderes", disse o deputado José Múcio (PTB-PE), um dos cotados para substituir Chinaglia na liderança do governo. Para o líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN), a discussão salarial é um "tema menor" que não deve fazer parte das preocupações dos parlamentares. "Essa discussão diminuiu o Parlamento", disse. Já o senador Gilvan Borges (PMDB-AP) aceitou o desafio do ministro. Ele se dispôs a exibir o contracheque para provar que seu salário líquido é de R$ 11 mil. "Eu só vivo no vermelho", alegou. Para mostrar que a situação dos parlamentares não é lá a que sugere o ministro, Gilvan sugeriu a quebra de sigilo bancário dos parlamentares nas contas específicas de pagamento de salário. "Vão descobrir que aqueles que não são empresários, nem têm renda extra, estão todos com as contas abertas." Prioridade A votação do aumento salarial dos deputados foi uma das principais propostas de campanha de Chinaglia à presidência da Câmara. Ele pôs o reajuste como uma das prioridades de sua administração e declarou que o projeto de decreto legislativo que dá 28,4% de reajuste aos parlamentares seria votado esta semana ou no máximo até o final de fevereiro. Mas nesta segunda ele recuou e negou que o aumento salarial seja "uma prioridade". Chinaglia disse que vai propor que os líderes partidários reúnam suas bancadas para decidir sobre o reajuste: "Quero ouvir a opinião dos líderes de novo." A maioria dos líderes partidários da base aliada e de oposição é favorável ao aumento para R$ 16,5mil dos salários dos parlamentares. No ano passado, o Congresso tentou equiparar os salários dos deputados e senadores à remuneração de ministro do Supremo, que ganha R$ 24,5 mil mensais. A repercussão junto a opinião pública foi péssima e os congressistas desistiram de aumentar seus próprios salários em 90,7%. "Esse assunto se esgotou no ano passado e não vejo justificativas para os parlamentares aumentarem seus salários", disse o líder do PSB, deputado Márcio França (SP).

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