Parlamentares opõem-se à desmilitarização do setor aéreo

A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de desmilitarizar o setor de controle aéreo causou polêmica entre os deputados. Líderes tanto da base aliada quanto de oposição mostram-se contrários à proposta de passar todo o controle aéreo para civis. "Precisa fazer uma transição, preparar novos controladores de vôo. Tem de ter maturidade", afirmou o líder do PR, deputado Luciano Castro (RR). "Açodadamente, eu sou contra", completou. Para o líder do PSDB, deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP), o controle aéreo não deve sair da alçada da área militar. O tucano argumentou que o governo não tem recursos suficientes para investir em um sistema paralelo de controle de vôo que fique nas mãos dos civis. "O governo vendeu uma coisa para os controladores de vôo que é impossível de cumprir: como ter US$ 2 bilhões para investir em um sistema paralelo?", indagou Pannunzio. "Sou contra a desmilitarização. O presidente Lula deveria ter priorizado a disciplina militar", disse o líder da minoria, deputado Júlio Redecker (PSDB-RS). Outro aliado que ficou insatisfeito com o acordo fechado com os controladores foi o líder do PT, deputado Luiz Sérgio (RJ), que defendeu, inicialmente, um controle compartilhado, com a segurança sob a responsabilidade dos militares e o espaço civil controlado por civis. "Como a crise foi instalada e evidenciada, a solução se tornou mais complexa e sensível", observou o petista. Já o vice-líder do governo da Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), posicionou-se favoravelmente à desmilitarização do setor de controle aéreo. "Precisamos de serenidade em torno desse assunto. Se o presidente Lula, que é o chefe supremo das Forças Armadas, tomou a decisão de desmilitarizar o setor é porque há recursos para isso", afirmou Fontana. Na negociação com os controladores parados na madrugada do último sábado, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, anunciou que a área de controle aéreo passaria para as mãos de civis em uma medida provisória, prevista para ser editada esta semana. O acordo fechado com os controladores prevê a concessão de uma gratificação salarial, a revisão das punições, como afastamentos e transferências, além da desmilitarização do controle aéreo.

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