Parlamentares lançam programa de "metas consensuais"

Em meio à acirrada campanha eleitoral, um documento suprapartidário com metas e diretrizes consensuais de desenvolvimento para os próximos 20 anos foi lançado na Câmara. Os idealizadores reuniram em torno de metas sociais e econômicas, algumas delas polêmicas, deputados e senadores de variados partidos, entre eles PT, PDT, PSDB, PMDB e PFL. Mas, no dia do evento, não conseguiram garantir as presenças de parlamentares do PMDB e do PSDB, partidos que sustentam a candidatura presidencial do senador José Serra (PSDB-SP). As deputadas Rita Camata (PMDB-ES), vice de Serra, e Yeda Crusius (PSDB-RS) alegaram problema de agenda para não participar do ato de lançamento do documento intitulado "Brasil: para um projeto de consenso". O texto contemplou idéias polêmicas, como a defesa de "repiques inflacionários" por curtos períodos para manter a taxa de crescimento, o que é rejeitado por José Serra. A proposta também critica a autonomia do Banco Central (BC) e questiona o modelo dos acordos firmados com o Fundo Monetário Internacional (FMI).Estavam presentes no lançamento parlamentares aliados do presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como o deputado Aloizio Mercadante (SP), e de Ciro Gomes (PPS), representado pelo senador Jefferson Perez (PDT-AM) e pelo deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA). Segundo o cientista político Hélio Jaguaribe, que colaborou para a elaboração da proposta, seria difícil reunir todos os signatários do documento em plena campanha eleitoral, mas por problemas que se restringem às agendas políticas. Mercadante disse que para apresentar um texto "relativamente consensual" optou-se por incluir idéias intermediárias, como, por exemplo, no caso da autonomia do BC. "Recomendamos no documento que não seja adotada a total autonomia do Banco Central, porque parlamentares apoiam uma certa independência do BC", explicou o petista. O senador Jefferson Perez, por exemplo, é favorável à autonomia operacional da instituição.Durante o evento, não faltaram críticas ao modelo econômico defendido pela equipe do presidente Fernando Henrique Cardoso, entre elas a adoção de medidas graduais para se diminuir o déficit externo e a dependência do capital estrangeiro. "Não é na base do gradualismo. Temos de aplicar ações mais radicais, como a criação de restrições às importações, para se reduzir a dependência do capital internacional", afirmou Jaguaribe, cientista político ligado ao PSDB. Mas ele explicou que essa idéia não foi incluída no documento por absoluta falta de consenso entre os seus signatários.

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