Parlamentares dizem que contribuirão para a governabilidade

Embora o País esteja a dez dias do segundo turno das eleições para presidente, parlamentares no Congresso Nacional já afirmam que serão feitos esforços para assegurar a governabilidade, seja qual for o presidente eleito, para enfrentar a crise econômica que forçou o governo a aumentar a taxa de juros e tomar medidas para reduzir a liquidez financeira do mercado. Líderes como o senador Renan Calheiros (AL), do PMDB, e o deputado Inocêncio Oliveira (PE), do PFL, por exemplo, embora tenham a tendência oposicionista em relação a um eventual governo de Luiz Inácio Lula da Silva, acreditam que o Legislativo dará um crédito inicial de confiança, tanto na transição até 1º de janeiro, como nos primeiros meses depois da posse do novo governo. O PMDB, afirma um assessor de Calheiros, não vai deixar de contribuir para a governabilidade nem vai se opor a reformas importantes como a tributária ou às votações de projetos que já estão na pauta do Congresso. O senador Amir Lando (PMDB-RO), que esteve na quarta-feira com Lula, manifestando seu apoio, tenta articular no Congresso uma frente pela governabilidade. "Há espaço para buscar apoio de senadores recém-eleitos e que estão abertos para o novo", argumenta o senador, integrante da chamada ala rebelde do PMDB, contrária à candidatura tucana de José Serra. "O crédito inicial (ao presidente eleito) já é uma tradição do Legislativo", afirma Inocêncio à Agência Estado. Para o líder, só uma atitude muito radical do novo presidente contra o Congresso tiraria dos parlamentares a boa vontade com as suas propostas. "Seremos oposição, mas vamos votar com o sentimento de governabilidade", anuncia o deputado pernambucano, referindo-se a uma eventual eleição de Lula. Inocêncio chega a prever que haverá uma tendência de ouvir mais os apelos do presidente eleito, mesmo antes de 1º de janeiro. "O presidente Fernando Henrique deve governar até o último dia, mas quem ganha uma eleição sempre tem mais influência do que quem está saindo".Inocêncio é favorável a votar o projeto que altera o artigo 192 da Constituição e que permitirá a regulamentação do Sistema Financeiro. "Temos todas as chances de resolver esse assunto até o final do ano pois o parlamento está muito sensível à crise internacional". O pefelista chega a acreditar na união de todas as forças políticas do país no caso de um agravamento da crise. "O Brasil amadureceu muito e (essa união) só depende da iniciativa do presidente", afirma.O líder do PT na Câmara, João Paulo Cunha (SP), diz que o eventual governo petista quer uma "governabilidade compartilhada" com o governo Fernando Henrique para enfrentar a crise econômica. "Vamos tentar combinar as duas agendas para estabelecer as votações no Congresso e tenho certeza de que conseguiremos essa articulação", afirma o líder. João Paulo diz que a Câmara tem "líderes (dos partidos na Câmara) experientes e sensatos" e que não há dificuldades para o diálogo. Só uma intensa negociação, no entanto, vai permitir a votação das 34 medidas provisórias que trancam a pauta da Câmara. "Algumas vão exigir muita discussão, como a medida provisória que extingue a cumulatividade na cobrança do PIS-Pasep", afirma João Paulo. A partir de 2003, o objetivo será ouvir todos os partidos. "No Congresso, vamos dialogar com todos para expor cada projeto de governo que precisar ser submetido à Câmara", disse o parlamentar.

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