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Em nota, PT no Senado diz haver 'odioso abuso de autoridade' em prisão

Ex-ministro da Fazenda foi preso quando acompanhava mulher no hospital; texto de senadores expressa 'indignação' e 'desrespeito às regras mais básicas da dignidade humana'; bancada da Câmara também condenou decisão

Isabela Bonfim, Ricardo Brito e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2016 | 10h42

BRASÍLIA - As bancadas do PT do Senado e da Câmara divulgaram na manhã desta quinta-feira, 22, notas em que criticam a prisão do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega na 34ª fase da Operação Lava Jato, Arquivo X.

A bancada do Senado diz ter recebido a notícia com "extrema indignação". Para os senadores petistas, o repúdio à ação da Polícia Federal é ainda maior em razão das condições "desumanas, arbitrárias e, mais uma vez, espetaculosas" como foi realizada, citando o fato de Mantega ter sido retirado de hospital, enquanto acompanhava a mulher numa intervenção cirúrgica a que se submeteria para tratamento de câncer.

"O desrespeito às regras mais básicas da dignidade humana e do Estado democrático de Direito extrapola o limite das 'tristes coincidências com que integrantes da força tarefa da Operação Lava Jato tentam escusar o odioso abuso de autoridade cometido na prisão do ex-ministro nesta quinta-feira (22), abuso este que se soma a um rol de outros já perpetrados pretensamente em nome da lei", criticou a bancada petista.

Em nota, que não entra no mérito das acusações que levaram à detenção provisória de Mantega, os senadores do PT prestam solidariedade ao ex-ministro e a sua esposa e externam o mais profundo repúdio a mais essa ação "pirotécnica" realizada sob o manto do Estado. A bancada conclui que esse tipo de atitude contribui para fragilizar a crença nas instituições democráticas e na lisura e isenção das operações efetuadas pela Lava Jato. 

A nota da bancada da Câmara dos Deputados classificou a prisão de "ação seletiva e abusiva" da investigação da Operação Lava Jato. Assinada pelo líder Afonso Florence (BA), a nota repudia "com toda a veemência" a condução dos trabalhos e conclui que há motivação política nas investigações para atingir o PT às vésperas das eleições municipais.

Os petistas lembram que Mantega estava acompanhando um procedimento cirúrgico de sua esposa num hospital de São Paulo e que o ex-ministro nunca se recusou a prestar os esclarecimentos aos investigadores. A nota diz que no momento pessoal em que vive, Mantega não seria obstáculo para as investigações, o que torna a ação "absolutamente desnecessária e abusiva".

"Infelizmente, agentes do Ministério Público Federal e da Polícia Federal têm cometido regularmente abusos gravíssimos, que neste caso violam a dignidade e os direitos fundamentais de Mantega e de sua família", diz a mensagem.

O texto afirma que a ação fere os direitos fundamentais e o Estado de Direito, num "espetáculo político de caráter seletivo" para atacar o PT e que configura "um regime de exceção inaceitável". Os petistas aproveitam para sair em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Tendo em vista a proximidade das eleições municipais, é deplorável que promotores espetacularizem a investigação da Lava Jato e, sem provas e por mera convicção, acusem o ex-presidente Lula", destaca a bancada.

A conclusão da bancada é que as investigações tentam inviabilizar a candidatura de Lula para a sucessão presidencial de 2018. "Lamentamos que instituições tão caras à democracia estejam sendo usadas por alguns de seus agentes para interferir na disputa política no Brasil." 

Para o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), a prisão de Mantega foi uma "covardia". "Prender alguém no hospital, no momento que acompanha a cirurgia da esposa com câncer é covardia". Para ele, Mantega não oferece risco às investigações da Operação Lava Jato e não havia necessidade da prisão temporária ter ocorrido nesta quinta.

A deputada Maria do Rosário (PT-RS) também criticou a operação, que considerou arbitrária. "Mantega foi preso no hospital onde esperava esposa sair de cirurgia. Deixou o filho ali sozinho. Que risco oferece? Espetáculo deplorável", escreveu no Twitter. Para ela, a prisão no hospital foi uma arbitrariedade e revela perseguições políticas através do abuso de prisões preventivas. "É o Estado coagindo e não investigando", disse.

No Twitter, Pimenta também provocou Moro e os procurados da Lava Jato, chamando-os de "golden boys" (meninos de ouro, em tradução literal). Ele também publicou hashtags na rede de microblog com os dizeres "golpistas" e "boca de urna", ao lado de uma imagem com o texto "não vão nos calar". Para o deputado, a operação da Lava Jato é política e a ação de hoje tenta influenciar as próximas eleições. 

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) também usou as redes sociais esta manhã para criticar o que considera de "espetáculo" e "humilhação" na prisão temporária do ex-ministro. "E não podia faltar o espetáculo e a humilhação, característicos de Moro e PF: retiram Guido do centro cirúrgico onde a mulher seria operada", reclamou a petista, que também é investigada na operação e já teve o marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, preso pela Lava Jato. Em tom de ironia, Gleisi disse que prenderam Mantega porque ele iria "fugir" do hospital Albert Einstein. 

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), ex-ministro do governo Lula, também protestou via redes sociais. Disse que ele tem endereço conhecido. "Acionado, já colaborou com a Justiça. Prender no hospital parece abuso. Pra quem o conhece é chocante!", criticou.

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