NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Parlamentares da oposição classificam denúncia contra Temer como 'grave'

Alessandro Molon (Rede-RJ) diz que acusação mostra que 'na cadeira da Presidência da República está sentado o chefe de uma organização criminosa'; Rubens Bueno (PPS-PR) afirmou que vai ser 'difícil Temer escapar'

Daiene Cardoso, Renan Truffi e Thiago Faria, O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2017 | 20h14

BRASÍLIA - Um dos principais articuladores da oposição na Câmara, o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) afirmou, nesta quinta-feira, 14, que a denúncia é "extremamente grave" e defendeu que a Casa aprove o andamento da nova denúncia contra o presidente Michel Temer.

"É uma denúncia extremamente grave, que mostra que na cadeira da Presidência da República está sentado o chefe de uma organização criminosa que ordenou a compra do silêncio do operador financeiro desta organização criminosa", disse Molon. "Temer fez tudo isso para que os crimes dele ficassem ocultos à Justiça e diante da gravidades desses fatos é inaceitável que a Câmara, mais uma vez, impeça a Justiça de julgar Temer pelos crimes que ele cometeu", emendou.

Outros deputados oposicionistas também se manifestaram à favor de que os deputados, desta vez, autorizem o afastamento de Temer. Na primeira denúncia, por corrupção passiva, o presidente da República teve o apoio de 263 deputados para enterrar o pedido da PGR.

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"Desta vez será muito difícil Temer escapar. A acusação é forte e as provas são robustas com relação ao envolvimento dele no esquema. Essa história de 'eu não sabia', adotada pelo ex-presidente Lula lá no mensalão, não cola mais. Não é à toa que o petista hoje é réu em cinco processos e apontado como chefe de quadrilha. O mesmo deve acontecer com Temer", avaliou o deputado Rubens Bueno (PPS-PR), membro da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), colegiado responsável pela primeira análise da denúncia na Câmara.

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Bueno acredita que a nova denúncia não deve encontrar as mesmas facilidades que os governistas tiveram na análise da primeira ação da PGR no plenário. "Na primeira denúncia ele usou de todos os artifícios, como a liberação desenfreada de emendas, para escapar. Agora a conta de sua base fisiológica deve ser muito maior e tenho minhas dúvidas se ele conseguirá escapar", disse o deputado. 

Também da Rede, o senador Randolfe Rodrigues (AP) classificou de "muito forte" a segunda denúncia contra o presidente da República, Michel Temer, apresentada nesta quinta-feira pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Na opinião de Rodrigues, a peça oferecida pela PGR vem fortalecida em relação à primeira por ter como base uma investigação da Polícia Federal e o depoimento de outros delatores.

"Os argumentos do presidente da República caem porque (a segunda denúncia) é com base em uma investigação da Polícia Federal. Ou seja, nós temos contra o presidente da República a posição do Procurador-Geral da República, a posição de um inquérito da Polícia Federal e a declaração de vários delatores sobre o envolvimento do presidente em vários crimes e a liderança dele sobre uma organização criminosa", disse.

"Essa denúncia não tem a ver com a delação da JBS. Essa denúncia tem a ver com o fato de que o presidente da República é líder de uma organização criminosa, da qual fazem parte ministros e assessores próximos dele e o comando da Câmara dos Deputados", complementou.

O senador ainda fez um apelo à Câmara dos Deputados, que já rejeitou a abertura de investigação contra Temer quando Janot ofereceu a primeira denúncia, há alguns meses.

"Os deputados vão tomar uma decisão dramática. Vão ter que escolher entre a continuidade deles como políticos ou a continuidade do governo Temer. Eu, no lugar deles, mesmo aqueles que apoiam o governo, não pensaria em continuar sustentando um governo que não tem mais condição nenhuma de apoio popular ou de apoio político para continuar dirigindo os rumos da nação", defendeu. 

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