Parlamentares cobram explicação sobre monitoramento a sindicalistas

Comissão participou de audiência com ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional

Rafael Moraes Moura, de O Estado de S.Paulo

11 Abril 2013 | 13h08

Uma comissão de parlamentares esteve nesta quinta-feira, 11, no Palácio do Planalto para cobrar explicações do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general José Elito, sobre o monitoramento de trabalhadores portuários pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), conforme revelado pelo Estado.

"Tem muita controvérsia aí, no primeiro momento (o governo) diz que não havia nenhum tipo de movimento da Abin em relação ao Porto de Suape e depois nós tivemos conhecimento do documento que foi considerado sigiloso, mas que veio a público de que havia realmente um movimento da Abin na direção de acompanhar o que estava acontecendo num eventual movimento grevista no Porto de Suape. Vamos, a partir de agora, procurar os esclarecimentos necessários com o general", disse o deputado federal Vanderlei Macris (PSDB-SP) antes da audiência no GSI.

O ministro-chefe do GSI deverá comparecer à Comissão de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso na próxima quarta-feira, 17, para prestar esclarecimentos sobre o monitoramento da Abin nos trabalhadores de 15 portos, com atenção especial sobre Suape, em Pernambuco.

"Acho muito preocupante e perigoso (esse monitoramento da Abin), abre um precedente perigosíssimo, na contramão do que o PT sempre fez. O PT sempre defendeu, pelo menos entre aspas, os trabalhadores e agora faz um movimento de bisbilhotagem na vida dos trabalhadores, o que é inadmissível", criticou Macris.

"Vamos conversar com o general e saber aquilo que está acontecendo. Se realmente existe isso, aí o Parlamento tem de tomar providências mais enérgicas, não é possível viver um momento onde a ditadura atuou muito nessa direção", disse o deputado.

Na quarta-feira o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse que o governo não é uma "ditadura" para fazer "arapongagem" de movimentos sindicais, admitindo o monitoramento da Abin por razões econômicas. "Nós não precisamos de arapongagem sobre o movimento sindical porque temos um diálogo com o movimento o tempo todo. Nós não somos um governo repressivo, da ditadura, que tem de infiltrar gente para saber das coisas", afirmou Carvalho, ao cumprir agenda em São Paulo. "Porto é uma coisa que não pode parar. Então, era mais do que legítimo que a Abin passasse para nós as informações dos riscos", disse o ministro.

O governo está preocupado com a articulação de sindicalistas contrários à Medida Provisória 595, conhecida como MP dos Portos, que estabelece um novo marco regulatório para o setor. Um dos maiores críticos à MP é o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que se uniu às críticas feitas por dirigentes sindicais.

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