Paris precisa achar parentes de 400 vítimas do calor

Alguns franceses voltam das férias de verão e são surpreendidos pela má noticia: a morte de um parente, geralmente idoso. Mas nem todos voltaram ainda e cerca de 400 corpos de pessoas, que morreram com a crise do calor do mês de agosto, não foram reivindicados por suas famílias, continuando depositados em caminhões frigoríficos improvisados nos subúrbios de Paris, ou num depósito refrigerado de frutas e legumes de Rungis (o Ceasa parisiense). Essa situação levou a Prefeitura de Paris a mobilizar, a partir de hoje, cerca de 120 de seus agentes para localizar os parentes de vítimas , cujos corpos ainda não foram reclamados. Eles terão que agir rápido, pois o prazo estipulado pelas autoridades para que todos os corpos sejam sepultados vence no dia 1º de setembro. Do contrário, serão sepultados como indigentes no Cemitério de Thiais, nas vizinhanças da capital. Nestes últimos dias, cerca de 40 corpos já tiveram esse destino por razões sanitárias.O prefeito de Paris, Bertrand Delanoe, explicou , entretanto, que todos os corpos sepultados nessas condições são identificados, o que permitirá aos parentes transferir os restos mortais para um túmulo familiar, em outro cemitério, quando tomarem conhecimento do acontecimento. O número de falecimentos no mês de agosto , só em Paris, aumentou 87 %, anunciam os serviços funerários da Prefeitura de Paris. Só entre os dias 12 e 14 de agosto, o clínico geral, Dr. Dominique Fieux que atende a clientela de um bairro nobre da capital, Auteil-Passy, onde se poderia imaginar uma população bem mais protegida, assinou 28 atestados de óbitos de pessoas idosas que morreram vítimas do calor , completamente isoladas em seus apartamentos. Ele descreve as terríveis condições desses idosos, entre 85 e 95 anos, muitos vivendo quase como reclusos , rejeitando contatos com familiares e amigos. Fieux lembra que a chamada "solidariedade de aproximação", hoje quase não mais existe em Paris e outros grandes centros urbanos franceses, ao contrário de cidades da Itália e Espanha e mesmo do interior da França, onde as conseqüências da onda de um calor idêntico foram bem menos graves. O médico francês explica também que a tendência das pessoas mais velhas em se isolar e em beber pouca água é normal. "Apartir de uma certa idade a sensação de sede não existe mais porque temos menos água no corpo, perdendo também o apetite. A 40 graus de temperatura exterior é preciso beber três litros de água e suspender todo tratamento diurético, pois os mais idosos já podem começar a sofrer de hipertermia"

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