FÁBIO MOTTA/ESTADÃO
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Parentes ou casais são mais de 20% da lista

Pais e filhos, maridos e mulheres e irmãos foram delatados por executivos da Odebrecht

Carolina Werneck, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2017 | 05h00

BRASÍLIA - Mais de um quinto dos citados na lista do relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, tem parentesco entre si. Pais e filhos, maridos e mulheres e irmãos são delatados pelos executivos e ex-executivos da Odebrecht.

Entre os casais da “lista de Fachin” estão a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) e o marido, Moisés Pinto Gomes. Segundo a Procuradoria-Geral da República, há indícios de que Gomes tenha recebido R$ 500 mil para a campanha da senadora em 2014. 

A senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM) também é apontada como beneficiária, por intermédio do marido, Eron Bezerra, de caixa 2 para a campanha eleitoral de 2012. 

São citados, ainda, a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) e seu marido, Márcio Toledo. As campanhas de Marta à Prefeitura, em 2008, e ao Senado, em 2010, foram, segundo os delatores, instrumento para recebimentos via caixa 2. O casal, no entanto, não é investigado. Delatores afirmaram também que o deputado Décio Lima (PT-SC) pediu dinheiro à campanha da mulher, a deputada estadual Ana Paula Lima (PT-SC), à prefeitura de Blumenau, em 2012.

Pais e filhos. As delações trazem ainda situações em que pais pediram dinheiro em nome dos filhos. O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), em negociação com executivos da Odebrecht, solicitou R$ 1,2 milhão ao PMDB, conforme relatos. Desse valor, R$ 800 mil foram para o filho, Renan Filho. Em contrapartida, o senador facilitaria a aprovação de leis que favoreciam a companhia.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), atuou, segundo delatores, para aprovar legislação a favor da Odebrecht. Em 2014, Jucá pediu R$ 150 mil em doação eleitoral para o filho, Rodrigo Jucá (PMDB-RR), então candidato a vice-governador de Roraima. 

O ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM-RJ) foi citado com o filho, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em cinco delações. Elas apontam que, em 2010, Rodrigo pediu dinheiro à campanha de César. Conforme as delações, ele recebeu R$ 600 mil. Em 2014, pai e filho voltaram a receber pagamentos, desta vez para apoiar a aprovação de medida provisória de interesse da construtora.

Delatores declararam que José Agripino (DEM-RN) e seu filho, o deputado Felipe Maia (DEM-RN), cobraram, respectivamente, R$ 100 mil e R$ 50 mil, em caixa 2. O ex-ministro José Dirceu também é alvo de pedido de investigação com o filho, o deputado Zeca Dirceu (PT-PR). O pai pediu doações à campanha do filho em 2010 e 2014. Duas parcelas de R$ 250 mil foram pagas pela Odebrecht.

Já Daniel Vilela, deputado pelo PMDB-GO, é filho de Maguito Vilela, político também filiado ao PMDB. Maguito é acusado por dois delatores de receber R$ 1 milhão para a campanha do filho à Câmara. A lista traz ainda o senador Jorge Viana (PT-AC) e seu irmão Tião Viana (PT-AC), governador do Acre. Delatores apontam que eles receberam R$ 2 milhões da Odebrecht em forma de doação à campanha de Tião, em 2010.

Defesas. Nesta terça-feira, 11, Kátia Abreu afirmou que ainda não tinha elementos para “rebater as supostas acusações” feitas e ela e seu marido, mas disse que “nunca” participou de corrupção. A assessoria de Vanessa Grazziotin informou que o marido da senadora “em nenhum momento esteve envolvido com a campanha eleitoral”. Décio Lima e Ana Paula Lima afirmaram que as doações recebidas foram “declaradas e aprovadas”.

Renan e Jucá negaram irregularidades nas campanhas eleitorais de seus filhos. César e Rodrigo Maia afirmaram que não participaram de ilícitos. Felipe Maia afirmou que vai “colaborar com a Justiça para a elucidação de todos os fatos”. 

Zeca Dirceu reiterou que “não há e nunca houve” qualquer tipo de tratativa em diretorias da Petrobrás ou em empresas investigadas. Os Vilela disseram que as campanhas de Maguito, em 2012, e de seu filho, Daniel, em 2014, foram feitas “inteiramente com recursos contabilizados”.

Tião Viana declarou que “nunca” se reuniu com Marcelo Odebrecht, “com nenhum executivo da sua empresa nem de qualquer outra envolvida na Operação Lava Jato”. Jorge Viana disse que não há nenhuma denúncia de corrupção contra ele e seu irmão, apenas “questionamentos sobre a arrecadação da campanha em 2010”. Vamos provar que nossas campanhas foram dentro da lei e feitas com dinheiro limpo.”

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