Parentes e empresas de Jader ganharam R$ 5,7 milhões

Integrantes e empresas da família Barbalho beneficiaram-se de R$ 5,7 milhões em rendimentos de aplicações resultantes de cheques administrativos do Banco do Estado do Pará (Banpará), no período em que o presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), foi governador, na década de 80. Essa é uma das conclusões da nota técnica feita pela 5ª Câmara de Defesa do Patrimônio Público da Procuradoria Geral da República. Só Jader recebeu R$ 3,085 milhões, em 59 aplicações, e a maior parte dos rendimentos veio de cheques administrativos."Há fortes indícios de que o senador Jader Barbalho, conjuntamente com demais beneficiários, se apropriou de valores públicos em proveito próprio ou alheios, por meio da emissão fraudulenta de cheques administrativos do Banpará", ressalta a nota. Os subprocuradores que trabalharam nas investigações descobriram que, das 21 operações financeiras feitas com cheques administrativos do Banpará, no mesmo período, Jader recebeu, diretamente, dividendos de nove.Conforme a nota, a ex-mulher, a deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), o pai e suplente, Laércio Barbalho (PMDB-PA) os irmãos Laércio Júnior, Joércio e Luís Guilherme, os cunhados Edmundo Oliveira, João Carlos Monteiro e Pedro Paulo Mello Bastos, e duas das empresas dele - o "Diário" e a Rádio Clube do Pará - movimentaram 125 aplicações, beneficiado-se com R$ 2,5 milhões. Só o senador foi responsável por 50 operações, recebendo rendimentos de R$ 480 mil. Entre os outros beneficiários, há empresas e acusados que prestavam serviços ao Estado, na época em que Jader o governou.O maior rendimento para Jader foi com cheques administrativos. Dos 21 cheques emitidos entre 16 de outubro de 1984 e 27 de agosto de 1985, ele recebeu R$ 3,085 milhões, mais da metade do valor das operações, que somaram R$ 5,1 milhões. Além do senador, o jornal "Diário do Pará" recebeu R$ 141 mil e o segundo suplente ao Senado, Fernando de Castro Ribeiro - que na época, era secretário particular dele - beneficiou-se de R$ 35.400,00. O diretor do Banpará, naquele período, Hamilton Francisco Guedes, recebeu R$ 937 mil com seis cheques do banco.O rastreamento feito pelos subprocuradores da 5ª Câmara descobriu ainda 69 investidores, que não foram identificados, mas movimentaram R$ 2,5 milhões no Banco Itaú. O que mais impressionou os investigadores, no entanto, foram quatro operações feitas no Citybank, de R$ 25,6 milhões, valor bem maior do que os descobertos nas demais operações.Por isso, o Ministério Público Federal (MPF) pode pedir uma nova investigação em relação às movimentações financeiras porque não decarta a existência de novas transações. Foi justamente por isso que o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, seguindo orientação do Banco Central (BC), pediu a quebra de sigilo bancário de Jader e dos demais envolvidos, antes e depois das operações feitas com os cheques administrativos do Banpará."Em data certamente anterior àquela da primeira aplicação analisada e até período posterior a instituição da obrigatoriedade dos cheques e demais aplicações financeiras serem nominativos, isto é, março de 1990", recomendou o BC.

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