Parente rebate críticas ao fim do racionamento

O ministro da Casa Civil e presidente da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), Pedro Parente, rebateu, nesta segunda-feira, as críticas de que a suspensão do racionamento de energia seja precipitada e tenha objetivos eleitoreiros."Eu acho que isso possivelmente é falta de informação ou má-fé", disse Parente, que iniciou nesta segunda-feira em Londres uma série de encontros com investidores europeus do setor energético.Responsabilidade"Estamos absolutamente seguros do que estamos fazendo, e eu assumo toda a responsabilidade do que a gente vier propor ao Presidente. Eu nunca iria propor uma coisa se achasse que tivesse risco."Ele reafirmou que o governo decidirá sobre o fim do racionamento no dia 19 de fevereiro, durante reunião com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Parente explicou que o governo definiu uma curva bianual de risco que permite prever se ocorrerão problemas daqui a dois anos, "coisa que não existia anteriormente".Essa curva pressupõe que o nível dos reservatórios de água têm que atingir um determinado nível hoje, para que, mesmo que ocorra um período "muito ruim", não sejam registrados problemas em dois anos. "Estamos aumentando muito a confiabilidade do sistema e, como sempre temos dito, nós jamais deixaríamos a população sob racionamento se não fosse necessário."Inflação versus tarifasDurante almoço com investidores promovido pelo Unibanco, Parente foi perguntado se o controle da inflação prevaleceria sobre os ajustes das tarifas do setor elétrico. "As autoridades econômicas, especialmente do Banco Central, têm convicção da necessidade de uma remuneração adequada do setor para garantir os investimentos, pois senão poderiamos ter uma prática de preço artificial no curto prazo, mas que, no longo prazo, tenderia a elevar muito mais os preços."Parente disse que, nos contatos com investidores estrangeiros, surgem freqüentes perguntas sobre a sucessão presidencial. "Não acredito que isso venha a conter os investimentos externos no setor energético", disse.Eleição"A eleição presidencial não vai atrapalhar, pois os investimentos são todos de longo prazo", disse. Segundo ele, "nenhum grupo político ou partido político correria o risco de fazer uma bobagem sobre uma coisa tão fundamental para o país como o setor energético".O ministro também negou que o governo brasileiro tenha a intenção de suspender a importação de energia da Argentina. Parente participa nesta terça-feira de um almoço organizado pela Câmara Brasileira de Comércio na Grã-Bretanha. Ao longo da semana, ele manterá contatos com investidores em Lisboa, Madri e Paris.

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