Pareceres sobre Renan dependem dos relatores, diz Quintanilha

O presidente do conselho desginou nesta manhã Jefferson Péres- opositor de Renan- para relatar 4º caso

Rosa Costa, do Estadão

10 Outubro 2007 | 13h01

O presidente do Conselho de Ética do Senado, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), disse nesta quarta-feira, 10, que não dependerá dele e sim dos relatores o cumprimento ou não dos prazos de entrega dos pareceres sobre os quatro processos que tramitam no colegiado envolvendo o presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de quebra do decoro parlamentar.     Veja Também:   Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Jefferson Peres será relator de terceiro processo contra Renan   Quintanilha disse que a pressão feita na última terça por 19 senadores de seis partidos para que escolhesse logo o relator da terceira denúncia contra Renan  não pesou na sua decisão, anunciada nesta manhã, de designar para a função o senador Jefferson Péres (PDT-AM), um dos principais adversários do presidente do Senado. "Eles (os 19 senadores) nem falaram comigo, e a proposta para a votação das denúncias foi acolhida pelo plenário do Conselho de Ética", disse Quintanilha. Ele negou ter feito manobras para adiar a votação das representações contra Calheiros e, com isso, esvaziá-las.   "Tenho procurado agir da forma mais democrática possível, sem imposição nenhuma", afirmou o presidente do Conselho. Acrescentou que ainda não tem idéia do nome que indicará para relatar a quinta representação contra Renan. Nessa representação, protocolada na Mesa Diretora do Senado pelo DEM (ex-PFL) e pelo PSDB, Renan é acusado de mandar espionar senadores em Goiás. Ela será encaminhada pela Mesa ao Conselho de Ética somente na próxima semana.   Quinta representação   O DEM e o PSDB entraram na terça-feira com uma nova representação contra Renan, por quebra de decoro parlamentar, na Mesa Diretora da Casa, que vai encaminhá-la ao Conselho de Ética. Será o quinto processo contra ele, em cinco meses. Desta vez, a denúncia reforça a acusação de que Renan manobra a máquina administrativa e servidores do Senado para dificultar as investigações de que é alvo. A medida é paralela à decisão - inédita - de senadores governistas e da oposição de se aliarem para impedir que Quintanilha continue dificultando as investigações contra Renan.   A denúncia cobra investigações sobre a suposta participação do assessor da presidência do Senado Francisco Escórcio, conhecido por Chiquinho, no esquema para espionar em Goiás dois integrantes do conselho que votaram pela cassação do mandato de Renan: os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO).   Em nome de Renan, Escórcio teria pedido ajuda ao empresário e ex-deputado Pedro Abrão (PMDB-GO) para instalar câmaras de vídeo no hangar de sua propriedade a fim de gravar Demóstenes e Perillo usando os jatinhos de sua empresa. Demóstenes e Perillo confirmaram a denúncia depois de ouvir todas as pessoas procuradas pelo assessor de Renan.   O Estado mostrou também, na edição de terça, que o presidente do Senado investigou as prestações de contas das verbas indenizatórias de gabinete (R$ 15 mil) dos colegas para ver se alguém havia apresentado notas frias ou feito gastos indevidos.   Outros processos   O presidente do Senado ainda enfrenta outros processos no Conselho de Ética - ele já conseguiu ser absolvido em julgamento no plenário, por 40 votos a 35 e 6 abstenções, da acusação de ter despesas pessoais pagas por um lobista da construtora Mendes Júnior.   Renan terá de responder à denúncia de suposto favorecimento à cervejaria Schincariol perante a Receita Federal e o INSS em troca da compra superfaturada de uma fábrica de refrigerantes de sua família. E, por fim, a acusação sobre suposta coleta de propina em ministérios do PMDB - caso cujo relator será o senador Almeida Lima (PMDB-SE), um dos principais expoentes da tropa de choque do presidente do Senado.

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