Dida Sampaio/Estadão
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Parecer ‘será nossa bala de prata’, diz líder do PSDB na Câmara

Deputado acredita que TCU vai reprovar contas do governo de 2014 e afirma que rompimento de Cunha é um ‘facilitador’

Entrevista com

Carlos Sampaio, líder da bancada do PSDB na Câmara

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

03 de agosto de 2015 | 03h00

Líder da bancada do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP) é o maior defensor de um processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Casa. Para ele, o fato de o fato de Eduardo Cunha ter rompido oficialmente com o governo “é um agente facilitador” da eventual tramitação da matéria.

O tema do impeachment voltará para a agenda da Câmara na volta do recesso? 

Volta totalmente. E, se comprovado o crime de responsabilidade, ou seja, que ela de fato falseou as contas nas pedaladas fiscais, esse terá um formato muito mais técnico. Irá além do inconformismo político generalizado. O dia 16 (data prevista de protestos) será um divisor de águas. Por isso decidimos convocar para as manifestações nas inserções do partido. Isso foi uma ideia do Aécio. 

Como o rompimento oficial do Eduardo Cunha com o governo pode influenciar esse movimento?

Muda muito. Essa maioria (2/3 dos deputados) ainda não está garantida, mas o processo para alcançá-la está em formação. O fato de o Cunha ter rompido oficialmente com o governo é um agente facilitador para formarmos essa maioria. Antes ele fazia alguns acenos à oposição e agora ele está nela se contrapondo ao governo. Ele tem uma força para esse chamamento de outros partidos da base que ninguém tem. O Cunha pode trazer mais pessoas. O momento conspira a favor do impeachment, é ímpar. 

Mas o Eduardo Cunha vive um momento delicado depois de ter sido acusado de exigir propina. 

Pelas relações que ele construiu, não acho que Cunha sairá enfraquecido desse processo. Ele não ficará isolado em função da denúncia, que, por si só, não tem força condenatória.

A presidente Dilma Rousseff também não foi condenada.

Defendemos o afastamento nos termos da lei. A crítica à Dilma é de natureza política pelas mentiras que ela contou na campanha. 

Como foi esse processo de defesa e de recuo do impedimento dentro da legenda?

O Aécio perguntou quem era a favor em uma reunião e maioria levantou a mão, mas não era um debate específico sobre isso. Depois, a coisa foi crescendo e 90% da bancada era favorável, mas eu concordo que o momento hoje é muito mais propício para o impeachment do que era antes. (O pedido) é a nossa bala de prata, que será a decisão do TCU (Tribunal de Contas da União, se aprova ou não as contas do governo de 2014). Eu acredito que hoje há uma maioria no órgão decidida a reprovar as contas.

Como é a sua relação com os grupos anti-Dilma? 

Nós nos falamos quase que semanalmente. O Renan (Santos) e o Kim (Kataguiri), do Movimento Brasil Livre, ficaram muito próximos depois da caminhada deles a Brasília. 

Mas o MBL criticou duramente o PSDB por ter recuado do pedido de impeachment. 

A crítica deles foi mais ao Fernando Henrique Cardoso, Alckmin, Serra, Aloysio e Aécio do que ao PSDB. Foi pontual. 

Você está mais próximo do Aécio ou do Alckmin? 

Eu tenho uma história política mais antiga com o Geraldo, mas pessoalmente, na informalidade, sou mais próximo do Aécio desde 2004. São dois grandes amigos. 

Quem é o favorito para disputar a Presidência pelo PSDB?

Hoje o cenário está muito mais propício para o Aécio. Mas daqui a quatro anos, o Alckmin será lembrado. Ele tem preparo intelectual. Os dois se comunicam muito bem.

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