Evaristo Sá/AFP
Evaristo Sá/AFP

'Parece um hospício', diz Renan sobre sessão do Senado sobre impeachment

Presidente da Casa fez um balanço do primeiro dia de julgamento do processo contra Dilma Rousseff

Isabela Bonfim, O Estado de S. Paulo

26 de agosto de 2016 | 00h50

BRASÍLIA - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), fez um balanço do primeiro dia de julgamento do impeachment de Dilma Rousseff. Ele criticou a postura dos senadores que usaram o interrogatório como espaço para discursos políticos e espera que a fase de testemunhas seja concluída até essa sexta-feira, 26.

"Às vezes parece que o Lewandowski, por mandato constitucional, está presidindo um hospício", brincou o senador sobre o ministro do Supremo, que preside o julgamento de impeachment. Ele disse ser natural que no primeiro dia haja mais divergência entre os senadores, mas acredita que o clima de rivalidade deve diminuir. 

Renan reclamou, de toda forma, que a fase de interrogatório não é o espaço para pronunciamento. "Teremos o momento para discursos, cada senador terá seu tempo para falar. Mas não é agora. Esse comportamento delonga o processo."

Ele também lamentou discussões mais acaloradas, como o bate-boca entre Lindbergh Farias (PT-RJ) e Ronaldo Caiado (DEM-GO), que abriu a sessão, e reprovou a fala de Gleisi Hoffmann (PT-PR), que disse que os senadores não têm moral para julgar a presidente. "Ouvir que o Congresso não tem moral para julgar o impeachment é duro."

Renan ponderou que a dispensa de uma das testemunhas da acusação, que acabou depondo como informante, abriu espaço para que o mesmo questionamento seja feito para as testemunhas da defesa. Ele acredita que a decisão será semelhante, prevendo que algumas testemunhas da defesa também sejam dispensadas nessa sexta.

O presidente do Senado disse que, no que depender do senador Linbergh Farias (PT-RJ), ele irá estender o julgamento infinitamente, mas calcula que será possível encerrar a fase de testemunhas ainda nessa sexta-feira (26). "Não vou dizer horários para não contradizer o Lewandowski, que afirma que o julgamento só tem hora para começar", afirmou. O senador disse ainda que conversou com Lewandowski, que se disse satisfeito com o primeiro dia de julgamento. "Ele passou no exame probatório dessa primeiras horas", brincou novamente.

Encontro com Dilma. Renan esteve com a presidente afastada para tratar de detalhes de sua acomodação no Senado. Segundo o peemedebista, ele ofereceu qualquer espaço na Casa para que ela se sinta mais confortável no dia do seu interrogatório, previsto para a próxima segunda-feira, 29. 

A presidente poderá trazer quantos convidados quiser para acompanhá-la e, dessa forma, a mesma cortesia será feita à acusação. A assistência técnica do Senado já prevê a acomodação de 40 convidados nas galerias do plenário do Senado.

Voto secreto. Renan ainda não decidiu se irá ou não votar no dia do julgamento final. Até então, ele tem se resguardado em sua função de presidente para se abster de votar, mas seu posicionamento é um dos mais esperados pelos colegas de partido e pela cúpula do governo Temer.  

Apesar de querer evitar a ligação direta com o presidente em exercício Michel Temer, Renan confirmou que foi convidado por ele a participar de viagem à China para a reunião do G20, que acontece em setembro. "O presidente me convidou e irei com muita satisfação."

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