Para PSDB, PT está por trás de livro que denuncia fraudes nas privatizações

Em nota, partido repudiou 'A Privataria Tucana', que associa Serra a suposto esquema no governo FHC; ex-presidente classificou livro como 'infâmia'

estadão.com.br,

15 de dezembro de 2011 | 18h44

 Os tucanos começaram a reagir ao livro "A Privataria Tucana", de autoria do jornalista Amaury Ribeiro Jr.. Lançado na semana passada, o livro associa o ex-governador de São Paulo, José Serra, a um suposto esquema de cobrança de propinas durante o processo das privatizações, no governo Fernando Henrique Cardodo, do qual Serra foi ministro. Depois do próprio Serra definir o livro como "lixo" e do senador Aécio Neves classificá-la como "literatura menor", o partido e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso divulgaram notas.

 

A nota do PSDB, assinada pelo presidente da legenda, Sérgio Guerra, acusa diretamente o PT de estar por trás do livro. "A nova investida ocorre num momento em que o PT está atolado em denúncias de corrupção que já derrubaram seis ministros, e aguarda ansiosamente o julgamento do Mensalão, maior escândalo de corrupção de que se tem notícia na história do Brasil", afirma a nota. Ainda segundo o texto, a participação de petistas tem sido constante na "fabricação de falsos dossiês".

 

Para o PSDB, a obra como "uma eviana tentativa de atribuir irregularidades aos processos de privatização no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e acusar o Partido e os seus líderes de participar de ações criminosas". A nota diz ainda que nenhum órgão de controle constatou qualquer irregularidade em todo o processo.

 

'Infâmia'

 

A nota publicada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no site Observador Político não faz ataques diretos, a não ser aoo próprio autor do livro. Ele definiu a obra como "infâmia" e lembrou o caso do "Dossiê Cayman", em que ele mesmo foi acusado de possuir uma conta milionária na ilha. ""Quero deixar registrado meu protesto e minha solidariedade às vítimas da infâmia e pedir à direção do PSDB, seus líderes, militantes e simpatizantes que reajam com indignação. Chega de assassinatos morais de inocentes. Se dúvidas houver, e nós não temos, que se apele à Justiça, nunca à infâmia", conclui.

 

Leia abaixo a íntegra da nota do PSDB:

 

"O PSDB repudia veementemente a mais recente e leviana tentativa de atribuir irregularidades aos processos de privatização no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e acusar o Partido e os seus líderes de participar de ações criminosas.

 

As privatizações viabilizaram a modernização da economia brasileira, com centenas de bilhões de investimentos em serviços essenciais e a geração de milhares de empregos.

Todo o processo foi exaustivamente auditado pelo Tribunal de Contas da União, Ministério Público Federal e outros órgãos de controle, e nenhuma irregularidade foi constatada.

 

O livro agora publicado tem as mesmas características de farsas anteriores, desmascaradas pela polícia, como a “Lista de Furnas”, o “Dossiê Cayman” e o caso dos “Aloprados”. Seu autor é um indiciado pela Polícia Federal por quatro crimes, incluindo corrupção ativa e uso de documentos falsos.

 

Uma constante dessa fabricação de falsos dossiês tem sido a participação de membros e agentes do Partido dos Trabalhadores. Os que não se envolvem diretamente nas falsificações não têm pudor de endossá-las publicamente, protegidos, alguns deles, pela imunidade parlamentar.

 

A nova investida ocorre num momento em que o PT está atolado em denúncias de corrupção que já derrubaram seis ministros, e aguarda ansiosamente o julgamento do Mensalão, maior escândalo de corrupção de que se tem notícia na história do Brasil.

 

Serão tomadas medidas judiciais cabíveis contra o autor e os associados às calúnias desse livro.

 

Brasília, 15 de dezembro de 2011

 

Deputado SÉRGIO GUERRA

 

Presidente Nacional do PSDB"

 

Leia a nota de Fernando Henrique Cardoso:

 

A infâmia, infelizmente, tem sido parte da política partidária. Eu mesmo, junto com eminentes homens públicos do PSDB, fomos vítimas em mais de uma ocasião, a mais notória das quais foi o “Dossiê Cayman”, uma papelada forjada por falsários em Miami para dizer que possuíamos uma conta de centenas de milhões de dólares na referida ilha. Foi preciso que o FBI pusesse na cadeia os malandros que produziram a papelada para que as vozes interessadas em nos desmoralizar se calassem. Ainda nesta semana a imprensa mostrou quem fez a papelada e quem comprou o falso dossiê Cayman para usá-lo em campanhas eleitorais contra os tucanos. Esse foi o primeiro. Quem não se lembra, também, do “Dossiê dos Aloprados” e do “Dossiê de Furnas”, desmascarado nestes dias?

Na mesma tecla da infâmia, um jornalista indiciado pela Polícia Federal por haver armado outro dossiê contra o candidato do PSDB na campanha de 2010, fabrica agora “acusações”, especialmente, mas não só, contra José Serra. Na audácia de quem já tem experiência em fabricar “documentos” não se peja em atacar familiares, como o genro e a filha do alvo principal, que, sem ter culpa nenhuma no cartório, acabam por sofrer as conseqüências da calúnia organizada, inclusive na sua vida profissional.

Por estas razões, quero deixar registrado meu protesto e minha solidariedade às vítimas da infâmia e pedir à direção do PSDB, seus líderes, militantes e simpatizantes que reajam com indignação. Chega de assassinatos morais de inocentes. Se dúvidas houver, e nós não temos, que se apele à Justiça, nunca à infâmia.

São Paulo, 15 de dezembro de 2011

Fernando Henrique Cardoso

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