Paranaense testa insulina inalada

Há uma semana, Jaime Bomfim Bettega, de 41 anos, ortodontista de Ponta Grossa, a cerca de 120 quilômetros de Curitiba, deixou de lado as pelo menos quatro injeções diárias de insulina. Agora anda com uma pequena bolsa onde carrega um bombinha de inalação que substitui as picadas. Ele é um dos 7,5 mil diabéticos que estão testando, em 70 institutos de seis países, a efetividade da insulina por inalação e a segurança, principalmente ao pulmão. O teste foi encomendado pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão regulamentador dos Estados Unidos, visando a liberar o medicamento em cerca de três anos. No Brasil, seis institutos estão envolvidos nas pesquisas. Segundo o presidente do Centro de Diabetes Curitiba (CDC), Edgard D´Ávila Niclewicz, o paciente paranaense é o primeiro diabético do tipo 1 no Brasil a ser sorteado pelo órgão norte-americano para o teste. A tipo 1 é a diabete que atinge geralmente crianças e jovens, que passam a depender totalmente de insulina. A tipo 2, que também participa da pesquisa com pacientes já sendo acompanhados, caracteriza-se pelo fato de o pâncreas ainda produzir a insulina suficiente para a manutenção da vida, mas é preciso ser suplementada por alimentos ou medicamentos. EficáciaDe acordo com a diretora executiva do CDC, Silmara Oliveira Leite, pesquisas realizadas há três anos já comprovaram a eficácia do produto. "Agora pretende-se ver se não vai causar problemas ao pulmão", disse. Os testes terão a duração de dois anos e meio. O nome de Bettega foi sorteado em Nova York para iniciar a pesquisa entre os portadores de diabetes tipo 1 no Brasil. O objetivo é acompanhar pelo menos 10 pacientes em cada um dos centros. Segundo ela, todas as informações são passadas diariamente on-line para os Estados Unidos. "É um procedimento simples, rápido e que evita a injeção", disse Bettega, que descobriu ser portador de diabetes há 17 anos. "A inalação pode ser feita quando se está andando." Segundo ele, na última semana não tem observado mais a hipoglicemia, que era comum nas medições diárias que faz. Os primeiros sintomas do problema vieram-lhe com muito cansaço físico, muita sede e as mucosas da boca e dos olhos ressecadas. "Se a gente for cuidadoso, vive-se uma vida absolutamente normal", assegurou Bettega. De acordo com Niclewicz, no mundo há 160 milhões de diabéticos, com projeção de dobrar o número no ano 2020. No Brasil, 7,6% da população entre 30 e 70 anos é diabética.

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