Paraguai só deve discutir Venezuela no Mercosul em 2010

Aprovação será difícil; há resistência tanto contra o presidente paraguaio Fernando Lugo quanto contra Chávez

Marina Guimarães, correspondente, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2009 | 19h06

O Paraguai só deve voltar a discutir o ingresso da Venezuela no Mercosul no próximo ano e, assim mesmo, mediante muita negociação política. A aprovação da matéria no Brasil pode abrir caminho para que o assunto retorne à agenda do presidente Fernando Lugo, mas não do parlamento. As divergências internas entre os partidos políticos e Lugo não favorecem o tratamento do projeto no Senado. "Não estão dadas as condições políticas nem a correlação de forças", explicou o vice-presidente da Casa, Sixto Pereira.

 

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A entrada da Venezuela no bloco regional sofre dois tipos de resistências no Paraguai: uma política, outra ideológica. Fonte do Senado paraguaio explicou que a primeira diz respeito às operações da oposição de bloquear qualquer iniciativa de Lugo. A segunda está relacionada ao temor de que um viés "bolivariano" seja plasmado em medidas do governo.

 

"O caráter autoritário de Hugo Chávez e seu afã de permanecer no poder são rejeitados pelos partidos tradicionais, que temem uma contaminação por parte do presidente Lugo de querer ir à reeleição", explicou a fonte. O secretário do partido socialista Tekojaja, Aníbal Carillo, disse que a aproximação do Paraguai com a Venezuela "é visto como um apoio à Chávez e ao seu governo, cuja democracia não é efetiva e deve ser combatida".

 

Carillo considera "muito difícil manter a resistência no Paraguai contra a Venezuela após a aprovação do Brasil". Porém, chama a atenção para o fato de que "a oposição conservadora paraguaia não é tão globalizada como a do Brasil, que tem uma indústria poderosa e lhe interessa fazer negócios com a Venezuela". Ao não ter laços comerciais fortes com o mercado venezuelano, a oposição conservadora poderia "fechar sua posição ideológica contrária" ao país caribenho, afirma Carillo.

 

No gabinete do presidente do Senado, Miguel Carrizoza, as informações são de que "é preciso esperar o plenário do Congresso brasileiro aprovar o ingresso da Venezuela para depois discutir o assunto no Paraguai".

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