Para Wagner, presidência da Câmara deve ficar com aliados

O governador eleito da Bahia, Jacques Wagner (PT), defendeu neste sábado que a presidência da Câmara seja ocupada por algum deputado da base aliada, mas não necessariamente do PT. Segundo ele, a presidência da Câmara não pode ser incluída em negociação entre aliados, porque não é cargo do governo. "De qualquer forma, o presidente da Câmara não é obrigado, nem proibido de ser do PT. Tem de ser da base, e não pode ser ninguém que seja derrotado", afirmou, esclarecendo que deve ser alguém que não seja fácil de ser derrotado. Para Wagner, é necessário impedir que a presidência da Câmara seja usada pela oposição da mesma forma como foi no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governador eleito disse que a decisão a respeito do espaço do PT no segundo mandato Lula é do presidente da República. Mas, segundo ele, o partido já tem um espaço bastante significativo. "Os ministros de Fazenda, Planejamento e Casa Civil são nossos. Mas o PT tem o direito de reivindicar espaço, pois tem a segunda maior bancada na Câmara após o PMDB", afirmou. "Evidentemente, sendo o partido do presidente, o PT terá maturidade para entender que se o presidente precisar ampliar sua base, ele não vai ampliá-la pedindo o sacrifício dos aliados. E sim, do próprio partido", acrescentou. Para ele, entretanto, o PT não está fazendo esse tipo de pressão.Wagner considera que o segundo mandato do presidente Lula será politicamente mais tranqüilo que o primeiro. "Quem está olhando para o futuro em 2010 sabe que interessa encontrar um País mais equacionado e resolvido em suas questões fundamentais. Não creio que mesmo membros da oposição queiram criar dificuldades", ressaltou.De acordo com Wagner, na reunião realizada na última quinta-feira entre o presidente Lula e 18 governadores eleitos, os governadores asseguraram que vão apoiar a aprovação das reformas "nas horas boas e más", para que o País tenha um crescimento econômico maior, aliado a uma política de distribuição de renda. Ele evitou opinar a respeito do possível afastamento definitivo de Ricardo Berzoini da presidência do PT e sobre a antecipação do Congresso do PT para o primeiro semestre de 2007, alegando que não é membro do Diretório Nacional e que está afastado das decisões internas do partido.Durante discurso na abertura da reunião do Diretório Nacional do PT, o presidente Lula mencionou que a vitória de Jacques Wagner na Bahia foi o fato político mais importante das últimas eleições. Segundo ele, quando Wagner dizia que ganharia as eleições para o governo no primeiro turno, Lula dizia a ele que acreditava apenas para agradá-lo. "Na verdade, quando ele saía da sala eu admitia que nem mesmo eu acreditava nessa vitória", afirmou o presidente esta manhã. Na avaliação de Lula, somente a fé de Wagner num Estado tão religioso como a Bahia justifica a vitória.

Agencia Estado,

25 de novembro de 2006 | 18h28

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