Para Wagner, governo Dilma será 'teste' para PT

Logo depois de votar, na manhã de hoje, o governador reeleito da Bahia, Jaques Wagner (PT), disse que seu partido "será testado" durante o governo de Dilma Rousseff, por causa da ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva da liderança política nacional. "Nossa riqueza são nossas diferenças e nossa pobreza é não saber trabalhar com elas", avalia. "Como agora não se tem mais o ponto de aglutinação do partido (Lula), a gente vai testar nossa capacidade de se unir em torno do projeto e não em torno de uma pessoa".

TIAGO DÉCIMO, Agência Estado

31 de outubro de 2010 | 21h29

Para ele, o futuro do partido sem Lula no governo é uma questão "que está na cabeça de todo mundo que se envolve" com política. "O PT tem de estar aberto a receber novas ideias", afirma. "Meu problema (com o partido) é quando as tendências do PT se enrijecem e deixam de dialogar para passar a pregar e a contar votos na convenção. Aí, (o partido) põe tudo por água abaixo", acrescentou.

Segundo Wagner, porém, a saída de Lula do governo também pode ser positiva para o PT. "O presidente vai ficar como uma referência e vai continuar na vida política - não com cargos, porque não faz sentido ele ter algum cargo além de presidente de honra do partido, mas aconselhando, sugerindo", analisa. "Talvez até melhore (para o PT), porque como a figura central do partido era também a figura central do governo e agora ele deixa o governo, ele pode dedicar mais energia à construção partidária".

O governador baiano também disse ser favorável a uma aproximação do PT com o PSDB, apesar do acirramento entre os partidos durante a campanha. "A campanha teve um quadro de acirramento desnecessário, com introdução de quesitos de intolerância que acho muito preocupante, mas, em princípio, PT e PSDB têm um ideário comum", afirma. "Se for possível um diálogo produtivo, acho excelente. E estou à vontade (com a situação), porque minha relação com o PSDB na Bahia sempre foi muito boa". Durante a campanha para a eleição de 2006, que o elegeu para o primeiro mandato, Wagner teve o apoio formal dos tucanos em sua chapa.

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