Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Para Wagner, PT errou ao não votar reforma política no governo Lula

Ministro diz que mudança deveria ter sido proposta em 2003 e alguns petistas foram ‘moídos pela máquina de fazer política’

Felipe Werneck, O Estado de S. Paulo

04 de junho de 2015 | 08h01

RIO - A uma semana do 5.º Congresso Nacional do PT, o ministro da Defesa, Jaques Wagner, disse ontem no Rio que o “erro mestre” do partido foi não ter feito a reforma política em 2003, no início do primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

“O homem não é mais forte do que a máquina e a máquina de fazer política no Brasil está viciada. Na minha opinião, esse é o erro mestre, causador de outros, porque na medida em que não se mudou a forma de fazer política, alguns dos nossos foram moídos pela máquina de fazer política”, disse o ministro e ex-governador da Bahia. O encontro do PT será em Salvador a partir da próxima quarta-feira. 

Wagner atribuiu a decisão em 2003 a um “arroubo de achar que a gente era mais forte do que tudo”, mas disse não se envergonhar da trajetória do PT. “Nosso erro, por isso não me envergonho e continuo na caminhada, foi não ter mudado a matriz do exercício da política no Brasil. Acabou que muita gente sucumbiu.”

 

Ele afirmou que “erros” precisam ser assumidos e reconheceu que a crise atual é a maior da história do PT. “Será um congresso ímpar por esse momento, sem dúvida nenhuma o de maior questionamento nos 35 anos do partido, mas prefiro usar o ditado oriental, de que a crise não é um fim em si mesmo, ela é uma oportunidade.” 

‘Ingenuidade’. O ministro disse que continua se orgulhando dos governos petistas por considerar que “o saldo é extremamente positivo para a democracia, a economia e o avanço brasileiro”. Ao comentar a pressão de setores do PT por resolução em Salvador que cobre mudanças na política econômica do governo Dilma Rousseff, Wagner disse que o congresso será momento de reflexão para apontar caminhos e que o partido “tem de fazer a crítica que quiser, até porque economia não é ciência exata”. Mas que considera “ingenuidade” a proposta de radicalização contra o governo no documento final. 

Sobre o anteprojeto que dá poder ao Congresso para sabatinar indicados pelo governo para presidir empresas e bancos públicos, o ministro disse que “não é isso que vai resolver”. “Não se trata de quem indica, mas da metodologia de escolha. Podia se fazer um processo interno de seleção”, afirmou Wagner, que participou das cerimônias de formatura de sargentos e de oficiais da Marinha.

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