Para Virgílio, Lula insiste em falar sobre o que não domina

O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), criticou hoje, da tribuna do Senado, a "insistência" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em falar sobre assuntos que não domina, sobretudo a respeito das regras econômicas que estão em vigor no País. Na avaliação do senador, a origem humilde de Lula não é desculpa para que "aquele que tem a responsabilidade de conduzir os mais altos destinos nacionais continue a pronunciar despautérios". Segundo Virgílio, em 25 anos de vida pública, Lula teria tido tempo suficiente "para se especializar em física nuclear, mecânica quântica, economia, direito internacional e o que ele quisesse". "Teve tempo demais", criticou. "Essa origem ficou para trás e nos enche de orgulho, mas não é desculpa. Sua excelência fala sobre o que não deve e também sobre o que não entende", avaliou. Não houve aparte de governistas em defesa do presidente. Arthur Virgílio previu que, ao longo do tempo, isso resultará em desprestígio internacional e nacional para o presidente. "E, a curto e médios prazos, e a longo termo, causará prejuízos sensíveis para a economia do nosso País". O líder citou em seguida, como exemplo, a afirmação do presidente de que as taxas básicas, a taxa Selic, de 26,5%, "não eram tão altas assim". Para o líder, o presidente ignora que é a partir da taxa Selic que começam a se definir as demais taxas da economia. "Um país desenvolvido, consolidado, efetivamente estável na sua relação econômica, poderia ter uma taxa Selic de 6, 8 ou 10 pontos, no máximo10 pontos abaixo das taxas praticadas na ponta do consumo", alegou. "O presidente da República demonstra ig norar algo fundamental: mantendo, com mantém, em elevados e insuportáveis 26,5% as taxas básicas da economia, a partir delas as demais se manifestam", justificou. (Rosa Costa, segue)Ele criticou também, em seu pronunciamento, a idéia aventada pelo presidente de os bancos oficiais reduzirem suas taxas de juros para dar o exemplo. Segundo ele, para cobrir idéia semelhante "tecnicamente incompleta, incorreta e politicamente desligada da realidade", em 1996, o governo teve de injetar R$ 8 bilhões no Banco do Brasil para cobrir prejuízos. Virgílio disse que, em 2000, o beneficiado foi a Caixa Econômica Federal, que recebeu R$ 30 bilhões. "Era outro esqueleto que estava saindo do armário, gerado pelo populismo ao tratar dinheiro público, como se a suposta bondade praticada no irrealismo econômico hoje, não custasse muito ao contribuinte amanhã", comparou. Para o líder, melhor seria se Lula prestasse atenção para os lucros obtidos pelos bancos nos primeiros meses de seu governo. O líder tucano voltou a atacar o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, a quem considera "excessivamente autoritário". E também "o escorregão" do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que, ao se referir aos três novos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que o governo escolheu "candidatos que tenham afinidade com as reformas". Para Virgílio, os nomes do STF devem ser os que cumprirem as exigências constitucionais, e não os que atenderem às expectativas circunstanciais do governo.

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