Para umbandista, governo usa religião como 'propaganda'

Presidente de entidade afirmou ainda que o governo não tem interesse na legalização dos terreiros

Bruno Siffredi, do estadao.com.br,

21 de janeiro de 2010 | 13h40

A Associação Brasileira de Templos de Umbanda e Candomblé (Abratu), entidade ligada às comunidades praticantes das religiões de origem africana, criticou a atuação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), um dia após o cancelamento do lançamento do Plano Nacional de Proteção à Liberdade Religiosa. Segundo a entidade, o governo não tem interesse no tema e as iniciativas são "mais para a mídia, para a propaganda, do que para a construção de um trabalho".

 

Veja também:

link Dilma adia legalização de terreiros de umbanda para evitar nova crise

 

O presidente da Abratu, Pai Guimarães D'Ogum, falou por telefone com o estadao.com.br na manhã desta quinta-feira, 21, e fez duras críticas às iniciativas do governo, que teria ignorado as associações ligadas às comunidades umbandistas. Ele afirmou que o governo não incluiu as associações na elaboração do plano. "Por falta de estrutura ou por não conhecer as particularidades da comunidade, eles estão pegando pessoas aleatoriamente", explicou.

 

"No ano passado, na Conferência Nacional da Liberdade Religiosa, a comunidade umbandista de São Paulo não foi representada. Quem estava lá representando a comunidade foram três pessoas ligadas ao candomblé, das quais apenas uma estava ligada a uma instituição", disse o presidente da Abratu, entidade que representa cerca de 800 templos de Umbanda e Candomblé, principalmente no Estado de São Paulo.

 

Segundo Pai Guimarães D'Ogum, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial "não quer que as comunidades organizadas e as pessoas realmente ligadas às comunidades participem da política".

 

A expectativa em torno do Plano Nacional de Proteção à Liberdade Religiosa era que ele acelerasse a legalização dos terreiros de Umbanda, que atualmente existem dentro de uma situação legal complexa. Segundo as entidades, as exigências municipais com relação aos terrenos e aos edifícios são incompatíveis com as características da prática da religião.

 

O presidente do Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo (Souesp), Milton Aguirre, também ressaltou a decepção das comunidades, que "ficaram indignadas" com o anúncio do adiamento da publicação do plano.

 

"Adianta você procurar todo meio para ter paz e união, se no final você descobre que tem pessoas que não estão interessadas", questionou. Segundo Aguirre, o adiamento de última hora ocorreu porque a legalização dos terreiros de Umbanda "não interessa" para o poder público.

 

O lançamento do Plano Nacional de Proteção à Liberdade Religiosa, que estava previsto para ser realizado durante um evento no Ministério da Justiça, nesta quarta-feira, 20, em Brasília, foi cancelado de última hora. O ministro-chefe da Secretaria da Igualdade Racial, Edson Santos, disse na ocasião que o projeto precisava nova avaliação da Casa Civil para evitar "constrangimentos" para o governo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.