Para TRF, desembargador teve conduta incompatível

Indícios de tráfico de influência no tribunal e conduta incompatível com o cargo foram os motivos que justificaram o afastamento do desembargador federal Eustáquio da Silveira e sua mulher, a juíza Vera Carla, da 21ª Vara Federal de Brasília, anunciado nesta quinta-feira pelo Tribunal Regional Federal.O presidente da comissão de sindicância, Plauto Ribeiro, negou que tenha havido venda de habeas-corpus em favor de traficantes. ?As investigações descartaram essa possibilidade. O que encontramos foram indícios de tráfico de influência.?A sindicância, concluída nesta quinta-feira, determinou o afastamento do desembargador e sua mulher até que sejam concluídas as investigações. Um processo administrativo foi aberto. O relator já foi nomeado. É o juiz Jairan Aram Mederiam. Nessa fase, Silveira e Vera devem ser ouvidos.Serão 20 dias para produção de provas, 10 dias para manifestação do Ministério Público e 10 dias para os acusados apresentarem a defesa. Até agora, nem Silveira nem Vera haviam sido convidados a depor. ?Não era preciso, de acordo com o que determina a Lei Orgânica?, justificou Ribeiro.Esse fato, porém, será usado pelo advogado de defesa do casal, José Eduardo Alckmin. Ele adiantou que eles vão recorrer da decisão e, como argumento, vão usar o fato de não terem tido a oportunidade de se defender. Nesta sexta-feira, ele esteve no TRF para analisar os documentos e, em seguida, teria uma reunião com o casal.?Silveira está abatido, entristecido e sentindo-se injustiçado?, disse o advogado. O recurso deverá ser proposto no início da próxima semana, com o objetivo de reconduzir o casal aos cargos.Ribeiro enumerou os motivos que levaram a comissão de sindicância a determinar o afastamento do casal de suas funções. ?É para o bem de Silveira. Ele terá mais tempo para preparar a defesa e, além disso, será poupado do constrangimento diante dos colegas?, disse o juiz federal.Até a decisão do tribunal, Silveira e Vera continuarão a receber seus salários. Durante os dois meses de sindicância, testemunhas foram ouvidas e documentos reunidos pela polícia, comparados com os habeas-corpus concedidos. Depois de analisar o material, Ribeiro descartou a prática de venda de habeas-corpus.Definindo Silveira como um homem ?sério, calado, não muito simpático?, o juiz federal afirmou: ?Constatamos haver indícios de conduta incompatível com a profissão, talvez provocada por problemas com o filho Igor.?A mesma sindicância concluiu não haver indícios de irregularidades cometidas pelo outro desembargador investigado, Fernando Tourinho Neto. ?Ele foi injustiçado?, disse.As investigações estão sob segredo de Justiça.Ribeiro defende que o processo administrativo seja concluído o mais rapidamente possível. ?Será melhor para todos.? Se comprovadas as denúncias, o casal pode ser afastado definitivamente de suas funções.

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