Para Tião Viana, chantagem era objetivo de grampo

Único petista da lista, senador não acredita, no caso dele, que seja alguma perseguição pessoal

CHRISTIANE SAMARCO, Agencia Estado

31 de agosto de 2008 | 19h09

Único petista que entrou na lista dos grampos telefônicos ilegais da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), divulgada pela revista Veja, o senador Tião Viana (AC) suspeita da existência de uma "organização criminosa paralela ao Estado" que teria obtido a "tecnologia da escuta telefônica em função pública" e agora a usa de forma ilegal em busca de informações para um esquema de chantagem.   Veja também: Supremo quer que Lula esclareça grampos da Abin, diz Mendes Abin diz que abrirá sindicância para apurar grampos 'Lula terá que tomar providências', diz Garibaldi Grampeado, Demóstenes exige medidas de Lula Vice-presidente diz que grampo no STF é 'intolerável'   "Telefonei para o Luiz Fernando (Corrêa, diretor-geral da Polícia Federal) e ele disse que afastava completamente possibilidade de ser um ato institucional da Abin, mas que o fato é grave e merece esclarecimento", relata Viana. Na conversa, Corrêa disse a ele que estava preocupado e que também achava que "isto não é algo bom para a democracia". O senador isenta o governo e a Polícia Federal de qualquer participação na "organização criminosa do mais baixo calão".   Em seguida, destaca que o presidente Lula, que a seu ver tem se dedicado a fortalecer vida institucional do País, seria "a última pessoa a aceitar uma prática de Estado arbitrário". Ainda assim, aguarda providências do governo e também uma reação do Senado. "Vou procurar o presidente Garibaldi (Alves, do PMDB) nesta segunda-feira para que possamos refletir juntos sobre o que fazer". Candidatura De volta de Rio Branco a Brasília, Tião Viana também vai procurar o ministro da Justiça, Tarso Genro, para saber como o governo vai atuar neste caso. Ele acredita que entrou na lista dos grampeados pela condição de potencial candidato a presidente do Senado, sucedendo Garibaldi Alves (PMDB-RN), que também é vítima da escuta ilegal, em fevereiro do ano que vem. "Tenho a sensação de que isso (a busca de informações comprometedoras para chantagem) pode ser uma maneira de alguém fugir, de ficar livre de qualquer demanda judicial", completa.No que se refere a seu caso em particular, ele diz que não tem suspeita de perseguição e descarta "fogo amigo" na espionagem, envolvendo interesses de setores do governo ou do PT. "Não faço parte de nenhuma facção de poder na República nem no PT. Sou membro dos chamados independentes", argumenta.   A despeito da indignação contra o grampo "abominável", o petista diz estar tranqüilo quanto às informações colhidas pelos criminosos. "Não terão nada de relevante para registrar, que me cause qualquer tipo de apreensão porque não devo nada a ninguém", desdenha. Ato contínuo, porém, o senador se diz atingido no "sagrado direito à privacidade, por um atentado à democracia".

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