Para terceiro relator, Renan é inocente e Salgado, 'demolidor'

Almeida Lima apresentou relatório separado, no qual não vê indícios para cassação do presidente do Senado

05 de setembro de 2007 | 13h27

Almeida Lima (PMDB-SE), terceiro relator do processo no Conselho de Ética e aliado do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), voltou a defender o senador e elogiou o voto do também aliado Wellington Salgado (PMDB-MG) pela não cassação. Salgado é "demolidor" e "irrespondível", afirmou. Nesta quarta-feira, 5, o órgão vota o pedido de cassação contra Renan e, se aprovado, o processo será analisado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, em seguida, irá para votação em plenário. Neste caso, o voto dos senadores é secreto.   Renan é acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista da Mendes Júnior. O parecer dos relatores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) citam oito irregularidades que caracterizariam quebra de decoro.   Almeida Lima apresentou relatório separado, no qual alega não ver indícios para a cassação de Renan. O documento só será votado caso os membros do Conselho de Ética rejeitem o parecer dos outros dois relatores: Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES).   Veja também: Veja a cronologia do caso Renan Íntregra do relatório que pede a cassação de Renan  Entenda as três frentes de investigação contra Renan    Em resposta a aliado de Renan, relatores defendem cassação 'Vamos ganhar... É ter calma', afirma Renan sobre cassação Aliado de Renan, Salgado não vê indícios para cassação Saiba como tramitará o processo contra Renan   Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação  Nova denúncia: Renan tem de explicar propinas     Salgado, que chegou a ser relator do caso Renan por menos de 24 horas, foi o primeiro a justificar seu voto. Segundo ele, a "simples" amizade de um senador com um funcionário de empreiteira não pode caracterizar quebra de decoro. Salgado disse ainda que Renan contou com o apoio de um amigo em um assunto que exigia "discrição" e não se prova que a Mendes Júnior tirou qualquer proveito da relação.   Depois de exatamente três meses de tramitação da representação do PSOL, Renan não conseguiu explicar suas ligações com o lobista da Mendes Júnior Cláudio Gontijo, que entregava à jornalista Mônica Veloso (com quem tem uma filha de três anos) dinheiro para custear suas despesas pessoais.   Além do processo votado nesta quarta-feira, Renan é alvo de outras duas representações. Uma delas, de iniciativa do PSOL, se refere a seu suposto lobby na Receita Federal e no INSS para favorecer a cervejaria Schincariol, após a empresa ter pago R$ 27 milhões pela fábrica de refrigerantes do deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), seu irmão. A outra, apresentada pelo DEM e pelo PSDB, pede que seja investigada a sociedade de Renan com o usineiro João Lyra na compra de um jornal diário e duas emissoras de rádio em Alagoas em nome de laranjas.

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