Wilton Junior/Estadao
Wilton Junior/Estadao

Para tentar barrar impeachment, governo faz articulações até o último minuto

No início da tarde deste domingo, presidente Dilma Rousseff ainda recebia no Palácio da Alvorada integrantes de partidos que deixaram o governo

Rachel Gamarski e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2016 | 12h47

BRASÍLIA - Cerca de duas horas antes do início da votação do impeachment na Câmara dos Deputados, membros do governo ainda fazem articulações para tentar barra a abertura do processo contra a presidente Dilma Rousseff.

Pouco antes das 12 horas, o deputado federal Adail Carneiro (PP-CE) chegou ao Palácio da Alvorada para um encontro com a presidente. Ele não quis falar com a imprensa, mas a presença do parlamentar do PP é um sinal de que nem toda a bancada deverá votar conforme orientação do partido. Há pouco, o vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), também se manifestou contrário ao impeachment.

Os ex-ministros e deputados Marcelo Castro (PMDB-PI) e Celso Pansera (PMDB-RJ) foram mais cedo ao Alvorada, mas já saíram do local, também sem falar com os jornalistas.

Por volta das 12h10, foi a vez da ministra da Agricultura, Kátia Abreu (PMDB), se reunir com Dilma. Kátia é um dos ministros do PMDB que se recusaram a deixar o cargo depois de o partido romper oficialmente com o governo. Desde o desembarque da sigla, a ministra tem feito uma defesa aguerrida da presidente Dilma e do governo, colecionando desafetos dentro do próprio partido. Ela é alvo de um pedido de abertura de processo de expulsão do PMDB por ter desrespeitado a decisão da cúpula partidária.

O ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues (PR), também foi ao Palácio da Alvorada para se encontrar com Dilma. Ele chegou por volta das 12h40 e permanece no local.

Pela manhã, antes de receber os políticos, Dilma fez sua tradicional pedalada matinal, acompanhada de dois seguranças. A presidente saiu em sua bicicleta, nos arredores do palácio da Alvorada por volta das 7 da manhã, ao contrário das seis horas, como costuma fazer normalmente. Só que, desta vez, preferiu encurtar o passeio na área externa do Alvorada. Dilma pedalou, no total, cerca de 45 minutos, mas menos da metade deles no lado de fora da residência oficial. O trajeto, um pouco mais curto, inclui a tradicional passada pela porta do Palácio do Jaburu, onde mora e estava o vice-presidente Michel Temer, um dos seus principais algozes neste momento. 

O almoço será com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio da Alvorada, e com os ministros do seu círculo mais próximo, repassando a contagem dos votos na planilha do Planalto, que tem enfrentado muitos problemas com as baixas e traições de última hora. Mas o governo tenta mostrar confiança de que possui os 172 votos necessários para barrar o impeachment, sob a alegação de que “o jogo ainda está sendo jogado”. A sessão de votação começa às 14 horas e as votações depois das 16 horas. Neste momento, um grupo maior de ministros deverá chegar ao Alvorada.

A previsão é de que, qualquer que seja o resultado, a presidente Dilma dê uma declaração à imprensa ao final da votação. Mas não está definido ainda qual será o formato desta fala.

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