Para Temer, palavras do Papa têm o objetivo de pacificar o Brasil

Para Temer, palavras do Papa têm o objetivo de pacificar o Brasil

No sábado, o Papa Francisco disse que o Brasil atravessa um 'momento triste' e afirmou que provavelmente não visitará o País em 2017, como chegou a cogitar

Cláudia Trevisan e Fernando Nakagawa Enviados especiais, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2016 | 13h05

CHINA - O presidente Michel Temer deu neste domingo uma interpretação pessoal ao pedido do papa Francisco para que as pessoas orem pelo Brasil. Segundo Temer, o pontífice tem o mesmo objetivo que ele próprio: pacificar o país. “Eu acho que ele revelou uma preocupação com o Brasil, uma preocupação que todos temos”, disse o presidente.

No sábado, o papa disse que o Brasil atravessa um “momento triste” e afirmou que provavelmente não visitará o país em 2017, como chegou a cogitar. Em entrevista na China, Temer disse que a viagem não chegou a ser marcada e ressaltou que se ela depender de um convite, ele o fará.

Perguntado se o papa havia se equivocado no diagnóstico da situação brasileira, o presidente disse que não. “Equivocado jamais”, afirmou em entrevista coletiva na cidade de Hangzhou, onde participa de reunião do G20. Na tentativa de interpretar as palavras de Francisco, Temer disse que as declarações foram uma resposta a protestos que supostamente se tornaram violentos nos últimos dias, depois de um período de três meses de uma “problemática político-institucional que gerou conflitos”.

A agência de notícias italiana Ansa divulgou no dia 2 de agosto que o papa havia enviado uma carta à então presidente afastada, Dilma Rousseff. A informação foi dada à agência pelo ex-frei franciscano Leonardo Boff, que é amigo de Francisco e próximo do PT. Segundo ele, o pontífice manifestava apoio a Dilma e condenava um eventual “golpe” contra sua gestão. No dia 18, a ex-presidente confirmou que havia recebido a correspondência, mas se recusou a revelar seu conteúdo.

Ligada ao PT e à Dilma, a atriz Leticia Sabatella se reuniu com o papa em maio, quando entregou a ele um documento do advogado Marcello Lavenére.

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