Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Para Temer, desentendimento entre Cunha e Renan não é pessoal

Vice-presidente tentou colocar panos quentes em discussões entre o presidente da Câmara e o presidente do Senado sobre temas como o projeto da terceirização

José Roberto Castro, O Estado de S.Paulo

28 Abril 2015 | 11h13

BRASÍLIA - O vice-presidente da República, Michel Temer (SP), colocou panos quentes na discussão entre os presidentes da Câmara e do Senado, seus correligionários Eduardo Cunha (RJ) e Renan Calheiros (AL). Temer fez questão de ressaltar que o desentendimento entre os peemedebistas não é pessoal, que o Legislativo é o lugar próprio para conflitos e que são as Casas que vão decidir sobre o projeto de lei da terceirização. A proposta, aprovada na semana passada pela Câmara, deve passar agora pelo Senado. 

Temer usou ainda a cultura do PMDB para amenizar a disputa. Segundo o vice-presidente, "o PMDB sempre foi partido de muitas opiniões" e que o trabalho do partido é "juntar essas opiniões". 

O vice-presidente explicou seu projeto de reforma política a deputados na Comissão que discute o tema na Câmara. 

Ao chegar para audiência, ele mostrou otimismo sobre a articulação para a votação das medidas provisórias 664 e 665, importantes para o ajuste fiscal do governo federal. "Não creio (em alterações no texto que causem prejuízo ao ajuste). É claro que se tem de dialogar e muitas vezes o projeto original não é o projeto que subsiste. O Congresso existe para dar a última palavra, mas tenho certeza que vamos chegar a um bom termo e fazer o ajuste" , disse Temer.

Temer foi perguntado ainda sobre a decisão da presidente Dilma Rousseff de não se pronunciar em no dia 1° de maio. Companheiro de chapa de Dilma e principal articulador político do governo, Temer disse não saber os motivos de Dilma não se pronunciar no Dia do Trabalho pela primeira vez desde que assumiu o governo. 

Ele também conclamou os parlamentares a fazerem uma reforma política no Brasil, mesmo que não seja a que é defendida por ele e seu partido.

"Quem tem aproximação de teses, junte as teses. Nem que seja para aprovar um sistema misto. Muito acima da minha posição, está o interesse do País", disse, cobrando a aprovação de um projeto até o final do ano. Segundo ele, a sociedade vai cobrar do Congresso caso isso não aconteça. "Vim para incentivá-los, se é que precisam de incentivo".

O vice-presidente defendeu que os deputados não tentem fazer uma reforma política completa, considerada por ele como difícil. Temer disse que os partidos devem escolher "três ou quatro temas" para alterações. "Se quisermos fazer uma reforma política com 12 temas, não vamos chegar a lugar nenhum", afirmou o peemedebista. Segundo ele, pode haver outras reformas políticas, mexendo em outro temas, "daqui quatro ou cinco anos".

Temer fez discurso em defesa do voto majoritário, princípio do modelo 'distritão', defendido por ele e pelo PMDB, onde os deputados mais votados são eleitos. Apesar disso, o peemedebista disse que sua posição contra o voto em lista "não é conceitual", mas conjuntural. "Nossos partidos perderam identidade programática", disse Temer, fazendo uma autocrítica, já que comanda o PMDB por mais de uma década. 

O peemedebista defendeu ainda o voto obrigatório, apesar de ser "conceitualmente" a favor do voto facultativo. Ele acredita que a "descrença" do brasileiro com a política levaria a uma grande abstenção e não daria legitimidade ao eleito.

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