Para Tasso, FHC já optou pela candidatura de Serra

O governador do Ceará, Tasso Jereissati, está convencido de que o presidente Fernando Henrique Cardoso optou pelo ministro da Saúde, José Serra, para disputar sua sucessão pelo PSDB. "Isto é jogo de carta marcada e eu não me prestarei para este papel", desabafou o governador a um interlocutor tucano. "O Fernando Henrique está por trás disso", concluiu, inconformado com a recusa da executiva nacional do PSDB de abrir a seus pré-candidatos na corrida presidencial os comerciais de 30 segundos no rádio e na televisão, que a lei eleitoral garante ao partido.É o convencimento de que o Palácio do Planalto joga contra ele na disputa partidária que levou Tasso a fazer ameaças públicas de apoio à eventual candidatura da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL). Na quarta-feira, o governador queixou-se em Fortaleza da falta de união do PSDB que a seu ver poderá comprometer o partido nas eleições. "Se tiver que se consolidar e a candidatura for irreversível, ela, Roseana, é uma candidata e temos que abrir esta possibilidade....Coisas da vida", disse Tasso. "Ele falou isso para deixar claro que não aceita que lhe imponham a candidatura de Serra", interpretou um correligionário muito próximo do governador. Segundo este interlocutor, Tasso não aceita a renitência dos "serristas" de adiar a definição do candidato do partido e o início da campanha presidencial para março de 2002. A avaliação dos tassistas é de que isto ocorre porque Serra não quer assumir sua candidatura para não ter que deixar o cargo antes de abril, prazo fatal para a desincompatibilização dos candidatos. Assim como o governador cearense, os partidários de sua candidatura ao Planalto acreditam que o ministro da Saúde tem a "cobertura" de Fernando Henrique para permanecer no governo. "Tanto é assim, que depois de anunciar a vários ministros que queria fazer a reforma ministerial em dezembro, para liberar os políticos e administrar o último ano de governo com um ministério técnico, o presidente desistiu", diz o tucano.Mas Tasso não é o único descontente com a decisão da executiva tucana de ampliar às lideranças nacionais a participação nos comerciais que deveriam ser partilhados entre os pré-candidatos. O governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira (PSDB), gravou contrariado as imagens que serão aproveitadas pela direção nacional. "O absurdo é tamanho que não vão nos deixar falar no programa", queixou-se Dante. "Esta confusão tremenda é conseqüência da falta de comando de um partido que, em vez de se definir na sucessão, corta a palavra dos governadores".Em meio a tantos muxoxos, até o ministro Serra, que participa de uma reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), no Catar, entrou no debate por telefone. Ele procurou vários interlocutores para negar que sua assessoria tivesse gravado um comercial em que o locutor apresentava seus feitos no ministério, diante da cadeira vazia do ministro que não tem tempo de fazer campanha, porque é muito ocupado. "O PFL é que está fomentando estas intrigas", acusou Serra em um dos telefonemas. "O Tasso só pode ter sido vítima de uma intriga porque a cena da cadeira vazia jamais existiu", reforçou em Brasília o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA).

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