Para Tarso, expressão é ''''normal'''' e só indica tensão

O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou ontem que o Supremo Tribunal Federal (STF) não sofreu pressões nem agiu sob influência política no julgamento em que decidiu transformar em réus os 40 acusados de envolvimento no mensalão. Para Tarso, a afirmação do ministro Ricardo Lewandowski de que os ministros do Supremo votaram "com a faca no pescoço" é uma expressão "normal", que se usa muito comumente em momentos de tensão política."Ele quis dizer o óbvio, mas a expressão não quer dizer que tenha havido alguma influência sobre os ministros e sobre o mérito da decisão do STF. É uma expressão normal em casos de grande repercussão", disse. Ele afirmou também que a decisão "foi soberana, independente e dentro do Estado de direito". A seguir, emendou: "Não creio em pressão política para condenar ou absolver, nem que o STF se submeta a pressões de qualquer tipo".Mas Tarso reconheceu que o STF sofre o efeito da opinião pública, "da pressão que se forma na sociedade", embora acredite que os julgadores têm independência para evitar as pressões e fazer prevalecer o aspecto jurídico. Outro episódio - a troca de e-mails entre Lewandowski e a ministra Cármen Lúcia, abordando o julgamento - não teve, na sua opinião, "influência na decisão do STF, porque, se assim fosse, a vontade dos ministros seria uma vontade frágil".Segundo Tarso, ao decidir pela abertura de processo criminal contra os 40 acusados, o Supremo demonstrou autonomia. O processo em que são réus importantes ex-membros do governo, segundo Tarso, "não atinge nem o governo nem o presidente Lula, como deixou claro o procurador (Antonio Fernando de Souza) ao dizer que nada existe nas investigações que implique o presidente ou o governo, nem politicamente nem juridicamente".O ministro da Justiça admitiu, porém, que as denúncias têm impacto no PT e a dimensão desse impacto será conhecida no congresso que o partido realiza a partir de hoje.

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