Para Tarso, CPIs podem ajudar na campanha de Lula

Um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetar o artigo do projeto de lei que proibia cenas externas e artistas na propaganda eleitoral, o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, avaliou que os petistas também vão tirar proveito da decisão. Numa entrevista no Palácio do Planalto, Tarso sugeriu o uso pelo PT de imagens das Comissões Parlamentares de Inquérito que "alvejaram" o governo e o partido. "Essas questões (cenas de CPIs) serão profundamente educativas no debate político e uma oportunidade de o presidente se defender de maneira adequada, caso seja candidato", disse.Tarso salientou que o candidato do PT à Presidência poderá reivindicar até mesmo participação nos êxitos da CPI dos Correios, comissão que apresentou denúncia ao Ministério Público contra parlamentares petistas. "É preciso deixar claro no debate eleitoral um elemento que até agora não foi destacado", disse. "O presidente da principal CPI que investigou elementos que resultaram em denúncias contra o governo é membro do Partido dos Trabalhadores", completou. O senador petista Delcídio Amaral (MS), presidente da CPI dos Correios, no entanto, nunca teve uma boa relação com os petistas do Planalto. Conhecido como um "tucano" no Congresso, o senador trava disputa até com o governador do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, aliado de Lula.Tarso Genro ressaltou que cabe ao PT decidir quais cenas externas poderão ser usadas numa eventual propaganda de Lula. Ele ponderou não estar falando pelo partido. "A meu juízo, todas as forças políticas terão motivos para usar (cenas externas)", argumentou. A uma pergunta se o partido iria aproveitar imagens de viagens presidenciais, ele ironizou: "Essa avaliação não foi feita porque a oposição tem dito que não tem obras". "Foi levada em consideração apenas (imagens de) CPI."VetosNa noite de terça-feira, Lula decidiu vetar o artigo 54 do projeto de lei que altera a legislação eleitoral. Ao justificar o veto, o presidente considerou que o artigo é nocivo à democracia, pois restringe a liberdade de expressão de partidos políticos, candidatos e cidadãos. Outros três artigos vetados não implicam interferência no texto aprovado pelo Congresso, apenas continham problemas de inadequação jurídica.O projeto de lei foi aprovado pelo Senado em 18 de abril. Especialistas em direito avaliaram que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iria derrubar a proposta, pois feria direitos de expressão. Além de proibir cenas externas, o artigo vetado permitia apenas a presença nas propagandas de candidatos e filiados aos partidos.

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