Para sindicalista, norma deveria ter sido adotada há muito tempo

"É uma decisão acertada que deveria ter sido tomada há muito tempo", declarou o secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal, Josemilton Costa, sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). "A única porta de entrada para a administração é o concurso público, o caminho legítimo. Qualquer outro tipo de acesso é falta de escrúpulo."Costa recrimina o loteamento de cargos, segundo ele, prática reiterada na máquina pública. E alerta para o nepotismo cruzado, expediente que tem sido usado por autoridades de Poderes distintos que empregam familiares de amigos e esses retribuem da mesma forma. "O apadrinhamento por meio de indicações aleatórias para cargos em comissão representa grave desvio promovido por políticos em prejuízo dos servidores de carreira.""A compreensão de que o cargo público pertence ao público prevalecerá, reconhecendo-se que a administração não é um clube de amigos, casa-da-mãe-joana em que todos podem dali auferir lucros", declarou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto. "Escolher quem deve exercer o cargo público por critério de sangue fere o princípio da moralidade e da impessoalidade.""Nepotismo é uma prática, que se estabeleceu ao tempo em que não estava sedimentada a interpretação da Constituição, que viola o princípio da igualdade, colocando a relação de parentesco adiante do interesse público", observou o desembargador Henrique Nélson Calandra, presidente da Associação Paulista de Magistrados."Se o nepotismo é inconstitucional para o Judiciário, obviamente é também para os demais Poderes", anotou o juiz Emanuel Bonfim Carneiro Amaral Filho, diretor da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), entidade que provocou a manifestação do Supremo por meio de Ação Declaratória de Constitucionalidade da Resolução 7/2005, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Bonfim avalia que o apadrinhamento no Judiciário "foi reduzido drasticamente".

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