Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Para Serra, PSDB sofre de 'bovarismo'

Ex-governador compara sigla tucana à figura de ‘Madame Bovary’, porque sente necessidade de ser aceito pelo adversário

Carla Araújo e Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

08 de novembro de 2013 | 22h07

No momento em que o senador Aécio Neves articula com o PSDB a antecipação da escolha do seu nome como candidato do partido à Presidência em 2014, o ex-governador José Serra, que também pleiteia a vaga, fez, nesta sexta-feira, críticas ao partido e censurou indiretamente o rival - que é presidente nacional da legenda.

Durante um evento em São Paulo organizado pela juventude tucana, ele dividiu suas queixas em quatro pilares: "regionalismo", "mercadismo"."colunismo" e "bovarismo". O ex-governador citou o clássico Madame Bovary, de Gustave Flaubert, para dizer que o PSDB tem a síndrome do "bovarismo" porque "tem necessidade de ser aceito pelo PT".

"Que me desculpem as mulheres, pois a coisa é mais complexa do que isso. Mas o problema da Madame Bovary é querer ser aceita pelo outro lado. Ela vai à loucura, quebra a família e trai o marido com Deus e todo mundo para ser aceita. O PSDB tem um pouco do bovarismo, de precisar ser aceito pelo PT".

Serra usou o leilão do campo petrolífero de Libra para exemplificar sua metáfora e mostrar que o partido não sabe criticar o governo Dilma Rousseff. "Eles fazem um leilão mal feito, como o do Campo de Libra. O que faz o PSDB? Sai dizendo: ‘olha aí, eles falaram que eram contra a privatização, mas estão fazendo’. Isso dá voto? Nenhum."

No caso do "mercadismo", o ex-governador criticou o discurso programático do PSDB. "Se confunde o fato de que a economia tem que ser mais aberta com a ideia de que o mercado vai resolver tudo." Sobre o regionalismo, o ex-governador disse que esse "instrumento" não pode ser usado em "eventuais lutas internas". Em outro momento, disse que muitos tucanos "trabalham contra o erário", mas não citou nomes.

Já no tópico sobre o "colunismo", Serra reclamou que a política no PSDB tem sido feita "por versões aqui e acolá". e disse que os tucanos "estão entrando nessa". "O colunismo é a maneira de fazer política pelas colunas dos jornais, e não pelo debate. Por exemplo: chegou aqui a notícia de que eu roubei o Aloysio (Nunes Ferreira) do Aécio, que está em Manaus", disse Serra. "Você não precisa me roubar, eu sou seu", respondeu o senador paulista.

Apesar de ter dito que estava fazendo uma autocrítica do PSDB, Serra afirmou aos jornalistas depois do evento que seus comentários foram "suprapartidários".

O encontro desta sexta, realizado na sede do PSDB paulista, foi o primeiro evento que o ex-governador contou com uma claque de deputados, vereadores e dirigentes partidários desde que decidiu permanecer na legenda e começou a rodar pelo Brasil se apresentando como opção para disputar o Palácio do Planalto em 2014.

O senador Aloysio Nunes, que tem sido companhia frequente de Aécio em suas atividades políticas, participou pela primeira vez de um ato ao lado de Serra. Questionado sobre a escolha de um candidato a vice-presidente paulista em uma eventual chapa encabeçada por Aécio, o ex-governador se irritou. "Quem tem prazo não tem pressa. Não concordo nem discordo."

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