Para Serra, Lula age como presidente de ONG

O prefeito de São Paulo, José Serra, voltou hoje a atacar o governo federal. Desta vez, concentrando suas declarações diretamente sobre o presidente Lula. Ao comentar os níveis atingidos pela taxa de câmbio no País, Serra disse que o Brasil precisa de um governo que funcione mas, enquanto isso, Lula estaria agindo como o presidente de uma ONG."O que falta no Brasil é governo que funcione. Porque o Brasil não é uma ONG e o atual presidente da República funciona como se fossepresidente de uma ONG", disse Serra durante visita às obras docomplexo viário Jurubatuba, na zona sul da capital paulista.Os comentários de Serra foram feitos logo após o prefeito esclarecermais uma vez que não tem a intenção de sugerir a criação de uma lei deresponsabilidade cambial para o País. Ontem, em discurso realizado na abertura da Couromoda 2006, o prefeitoutilizou este termo para fazer uma comparação com a responsabilidadegovernamental na área fiscal, esta sim prevista por lei.Serra esclareceu que utilizou a expressão com sentido figurativo, mas insistiu na necessidade de uma mudança na política cambial brasileira. "Quando eu falei de responsabilidade cambial foi figurado, não é uma lei escrita. Eu acho que a política econômica tem que ter responsabilidade cambial."Fogo amigoSerra aproveitou o encontro com cerca de 200 prefeitos tucanos do Estado de São Paulo, no hotel Crowne Plaza, para cobrar unidade do partido na definição dos candidatos para a eleição deste ano. Diante da platéia formada majoritariamente por aliados políticos do governador Geraldo Alckmin, pré-candidato pelo PSBD à Presidência da República, e com a presença do próprio governador no evento, Serra deu um "puxão de orelhas" nos prefeitos ao dizer que divergências partidárias não deveriam ser tratadas publicamente pelo noticiário da imprensa."Divergências internas devem ser tratadas internamente, não em jornais e em notinhas publicadas nos jornais", cobrou o prefeito. Segundo ele, a publicidade das disputas internas dará munição aos adversários, enfraquecendo a legenda para a eleição. "Vamos resolver tudo internamente para estarmos unidos na batalha para o lado de fora", argumentou.Serra deixou o local pouco depois do seu discurso, justificando que participaria de um evento programado anteriormente pela Prefeitura, mas fez questão de anunciar que sua amizade com Alckmin está mantida apesar das informações que eles disputam a indicação do partido para encabeçar a chapa majoritária do pleito deste ano. "Eu e Alckmin continuamos tão amigos quanto sempre, se alguém tiver alguma dúvida disso".Ainda durante o seu discurso, Serra admitiu que o PSDB não conta, até o momento, com nomes bem posicionados nas pesquisas para disputar o governo paulista. Minimizou, entretanto, esse fato ao alegar que, no Estado, os tucanos administram 30% das cidades, mais de 50% da população e que têm condições de forjar um candidato com condições de vitória durante o período eleitoral. "O PSDB tem cacife enorme para as eleições. Com organização e um exemplo de administração estadual, de (Mário) Covas e Alckmin, vamos devolver o Brasil ao rumo perdido nas eleições de 2002", opinou.

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