Para Serra, governo e PT é que antecipam processo

Recebido por líderes tucanos no Paraná, ele volta a criticar juros e se diz satisfeito com pesquisas, mas garante que não está preocupado com 2010

Miguel Portela, O Estadao de S.Paulo

14 de fevereiro de 2009 | 00h00

O governador José Serra (PSDB) voltou ontem a atacar a política de juros praticada pelo governo e se disse satisfeito com a posição que ocupa nas pesquisas, mas negou que o PSDB esteja antecipando a corrida eleitoral à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao ser indagado sobre o assunto, em visita a Cascavel (PR), o tucano rebateu: "Quem está antecipando todo esse processo é governo federal e o próprio PT."Na visita, Serra foi recepcionado por diversos líderes tucanos no Paraná, incluindo o prefeito de Curitiba, Beto Richa, o senador Álvaro Dias, os deputados Gustavo Fruet e Alfredo Kaefer, além de parlamentares estaduais. O motivo da viagem foi participar do Show Rural Coopavel, um dos maiores eventos agropecuários do Brasil. Apesar da calorosa recepção, o governador negou qualquer conotação eleitoral na viagem. Indagado sobre a candidatura do PSDB a presidente em 2010, ele respondeu que é muito cedo para tratar da questão: "Fui eleito para governar São Paulo e minha preocupação é sempre geral, ajudar o nosso Estado na troca de experiências com outras unidades da federação." A comitiva chegou a Cascavel por volta das 13h20 e permaneceu no evento por cerca de duas horas. Depois de visitar vários estandes, o governador cumprimentou visitantes e posou para fotos com fãs. Questionado pelos repórteres, o tucano evitou falar sobre a decisão do DEM de ingressar, na semana que vem, com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o Lula e a ministra da Casa Civil e presidenciável Dilma Rousseff por antecipação da campanha eleitoral.Ao ser novamente abordado sobre sucessão, Serra insistiu que está preocupado apenas em governar. "A gente tem de se debruçar para administrar bem e cumprir as responsabilidades a fim de enfrentar a crise. Essa é a minha prioridade, não é a política eleitoral, neste momento."Sobre as últimas pesquisas de opinião que apontam o seu nome na frente para disputar a sucessão de Lula, porém, o governador não escondeu o contentamento. "Qualquer político que possa estar bem numa pesquisa eleitoral fica satisfeito com o resultado", comentou.PACOTEAlém dos temas políticos, o governador analisou rapidamente a crise financeira. Para ele, o Brasil se mantém na contramão mundial. "O Brasil continua tendo um dos maiores juros do mundo e avançou muito pouco nessa questão. O mundo todo está procurando baixar os juros e tornar o crédito mais barato e acessível. O Brasil se mantém na direção contrária", alfinetou.Para o tucano, a taxa de juros é um erro. "Não há motivos para que o Banco Central mantenha essa política de juros. Esse é o ponto fraco do governo no enfrentamento da crise financeira." Por fim, ele destacou que o pacote de medidas anunciado esta semana pelo seu governo é a contribuição do Estado para combater os efeitos da crise.

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