Para senadores, presença de deputados altera votação

Alguns parlamentares criticaram a decisaõ do STF de permitir a entrada de deputados na sessão secreta

Agencia Estado

12 de setembro de 2007 | 11h22

A decisão dos deputados de recorrer ao STF para acompanhar a sessão secreta do Senado, que vai definir o destino político de Renan Calheiros (PMDB), poderá mudar alguns votos, a favor de Renan. Na avaliação de alguns senadores, no momento que os deputados foram ao Supremo Tribunal Federal (STF) e conseguiram liminar para entrar na sessão secreta, eles conseguiram aumentar o "espírito de corpo" do Senado. Veja Também: Chinaglia cobra investigação sobre agressão a deputados Deputado dá soco em senador antes de sessão que julga Renan Ouça áudio do tumulto no Senado  Saiba como será a votação secreta no plenário   Planalto prefere José Sarney no cargo Computadores e celulares estão proibidos no plenário   Na opinião de um dos relatores do processo contra Renan, senador Renato Casagrande (PSB-ES), o tumulto ocorrido para impedir a entrada de deputados no Senado só depõe contra a Casa. "Está parecendo pelada de várzea", comparou.  O primeiro-secretário do Senado, senador Efraim Morais, (DEM-PB), afirmou que há uma interferência do STF nas decisões do Senado. "Não precisamos da presença de ninguém para tomar decisões de acordo com a nossa consciência", disse o parlamentar, que, no entanto, ressalvou, que as decisões do Judiciário têm que ser cumpridas. "Imagina se em uma sessão secreta do Supremo, os senadores quiserem participar? Eles vão conceder liminar?", perguntou.  O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) defendeu a participação dos deputados na sessão, mas entende que o STF não deve se intrometer em questões internas da Casa. Jarbas ficou indignado com o esquema de segurança e declarou-se constrangido. "O Senado está numa agonia e toda essa pantomima é porque o senhor Renan não se afastou do cargo. Se fosse julgado outro senador, não teria esse espalhafato todo", afirmou.  Jarbas disse que não é candidato à sucessão de Renan na presidência da Casa e defendeu que antes de discutir esse assunto é preciso resolver o caso Renan. Ela acusa o presidente do Senado de usar o cargo para se defender das acusações.  "O voto é secreto. A sessão não precisa ser secreta. Vamos cumprir a decisão e votar esse negócio", disse o senador Magno Malta (PR-ES). "O clima já está ruim de respirar em Brasília, por causa do ar seco e agora junta tudo", disse.  O ministro do STF, Ricardo Lewandowski, garantiu a 13 deputados de cinco partidos o direito de acompanharem a sessão. Os 13 haviam ajuizado na terça-feira no STF um pedido de liminar para que a sessão, que é secreta, fosse transformada em pública ou para que pudessem acompanhá-la de dentro do plenário. Antes do início da sessão, às 11 horas, havia a dúvida se seria adiada para às 14 horas.  (Com João Domingos, Fabio Graner, Cida Fontes e Denise Madueño)

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