Clélio Tomaz/Leia Já Imagens
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Para senador, condenação de Lula pode ter repercussão 'oposta'

Humberto Costa afirma que 'perseguição' contra ex-presidente pode resultar em mais 'musculatura' a petista

André Borges, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2017 | 17h05

BRASÍLIA – O senador Humberto Costa (PT-PE), que é alvo de inquérito instalado no âmbito da Operação Lava Jato, afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido alvo de uma “perseguição” política que, em sua avaliação, pode acabar por fortalecê-lo mais na corrida eleitoral de 2018. 

“A condenação dele agora, numa segunda instancia, para jogá-lo na Lei na Ficha Limpa, teria agora uma repercussão oposta ao que esse pessoal está pensando”, comentou o senador, que chega a analisar o eventual apoio de Lula a outro candidato, caso se confirme o seu impedimento.  “Essa perseguição, da forma como tem sido feito, pode terminar dando a ele uma musculatura tal, que mesmo não sendo candidato, o apoio dele seja absolutamente decisivo para alguém ganhar a eleição”, disse durante o seminário “Estratégia para a Economia Brasileira - Desenvolvimento, Soberania e Inclusão”, promovido pelas lideranças do PT na Câmara e no Senado e pela Fundação Perseu Abramo, em Brasília.

Segundo o senador, há uma "estratégia" de opositores do petista para torná-lo inelegível, uma vez que o ex-presidente é réu em cinco ações penais. “Nós temos a plena consciência de que há uma estratégia estabelecida por aquelas forças que fizeram o impeachment, e seus aliados, a grande mídia e o Ministério Público, de criar um impedimento à candidatura de Lula”, disse ao Estado o senador.

O ex-ministro Jaques Wagner (PT-BA), que também está na lista dos investigados pela Operação Lava Jato, reafirmou que o partido não conta com outro nome para as eleições do ano que vem. “Por enquanto não tem outro candidato, o PT continua trabalhando com essa possibilidade de Lula. Temos que continuar defendendo o patrimônio dele e do próprio PT”, declarou.

“Ele continua a ser meu candidato. Agora vamos ver, nessa guerra de versões. Eu acho que é impossível não reconhecer, mesmo quem não gosta dele, que há um direcionamento nesse sentido de acabar com ele. E isso é uma bobagem, uma burrice”, disse o ex-governador da Bahia.

Erros. Liderança do PT na Bahia, Wagner disse que o partido perdeu a chance de ter feito a “reforma política” do País em meados de 2003 e 2004, quando Lula foi eleito para seu primeiro mandato. “Essa talvez seja a maior responsabilidade nossa, não ter feito uma reforma política como o País poderia ter feito. Como está hoje se proliferam partidos. Há coligações que acabam sendo guarda-chuvas para esses partidos que, muitas vezes, não existem politicamente, vira um comércio de tempo de televisão, aí não se tem boa coisa para sair daí.”

Na avaliação de Wagner, ainda há tempo do PT “se renovar e repensar” a forma como se organiza.  “A gente tomou pancadas injustas e pancadas justas por conta de erros cometidos na economia e na política. Mas o partido tem um destino de longo curso. Nós não fomos criados para uma eleição, fomos criados para pensar um país. Agora, eu não tenho uma ilusão em relação ao seguinte: você não muda sem mudar as regras de participação, as regras de coligação partidária, de financiamento. Fica muito difícil você fazer uma política sadia, se o regramento é ruim.”

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