Pará se recusa a aceitar racionamento

Os empresários do Pará começam hoje uma mobilização para impedir que o Estado, responsável pela exportação de 70% da energia produzida pela hidrelétrica de Tucuruí para a região Nordeste, seja obrigado a conviver com o racionamento imposto pelo governo federal. Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), Danilo Remor, que uma reunião com representantes de empresas, trabalhadores, políticos e dirigentes da Eletronorte, se o Estado for obrigado a ingressar no corte de energia elétrica haverá "grandes prejuízos às indústrias e desemprego". Remor disse que o racionamento virá numa péssima hora, quando a oferta de empregos começa a crescer no Estado. "Temos que fazer alguma coisa antes que seja tarde. O nosso crescimento não pode ser interrompido em nome de uma cota nacional de sacrifícios para diminuir a demanda do setor energético. Nós já demos nossa parcela de contribuição ao País, suprindo com a nossa hidrelétrica a carência de outros Estados". O presidente do Senado, Jader Barbalho, informou ao Estado que terá uma audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso para dizer a ele que o Pará não irá aderir ao racionamento de energia elétrica. "Vou mostrar ao presidente que esse racionamento é inconcebível, pelo menos no Pará. O consumo, em relação àquilo que produzimos, é muito pouco. Além disso, o Estado não ganha um centavo de royalties pela energia que exporta para o Nordeste", enfatiza o senador. Jader adiantou que, além de não aceitar o apagão, o Pará está cobrando do governo federal outro débito: a construção das eclusas de Tucuruí, obra com cronograma atrasado. "Já falei sobre o assunto por telefone com o presidente, mas hoje vou dizer a ele pessoalmente que os paraenses ficarão de fora do racionamento".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.