Para se defender, Sarney ''terceiriza'' responsabilidade

Álvaro Dias critica atitude de peemedebista ao atribuir a contador suposto erro em declaração de bens ao TRE

Leandro Colon, O Estadao de S.Paulo

04 de julho de 2009 | 00h00

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), tem reagido sempre da mesma forma diante de denúncias envolvendo seu nome: terceiriza responsabilidades. Da tribuna, já disse que a crise é do Senado, e não dele. No caso mais recente, responsabilizou um contador pela ausência de uma casa de R$ 4 milhões na declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral."Até deve ter sido erro do contador. Mas a responsabilidade é dele. Temos que saber escolher nossos contadores", disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), ao comentar o caso revelado pelo Estado. Para o tucano, o Senado está à deriva. "A impressão que se tem é que, depois de tantas denúncias, o senador Sarney está imensamente cansado. Tudo está entregue ao destino", disse.Segundo o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), a delegação de responsabilidade não melhora a situação de Sarney. Para ele, "não há nada esclarecido" na resposta do peemedebista no caso da casa ocultada. "É uma alegação, um argumento que tem que ser investigado." O caminho para a investigação, a seu ver, é o Conselho de Ética, que terá de examinar a representação do PSOL contra Sarney.Sob pressão desde que assumiu o cargo há cinco meses, Sarney já afirmou que não foi eleito para limpar a "lixeira da cozinha". Pressionado, entregou em março a Heráclito a tarefa de responder para a imprensa pela gestão administrativa do Senado. Com carta-branca, o primeiro-secretário pediu um pente-fino nos possíveis atos secretos dos últimos 15 anos. Uma comissão identificou 663 decisões sigilosas.DISCURSOInicialmente, Sarney tentou conter a crise com o argumento de que ocorreu um "erro técnico" no sistema interno do Senado. Foi a justificativa que sua assessoria usou, por exemplo, para explicar a não publicação da exoneração de João Fernando Michels Sarney, neto do presidente do Senado, do gabinete do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA). Sarney foi avisado de que grande parte dos atos secretos foi escondida propositalmente. Teve de mudar o discurso e pedir a abertura de uma investigação interna."Erro técnico" também foi o primeiro motivo encontrado por ele para explicar a ausência da casa na declaração de bens à Justiça Eleitoral. Mudou a versão por duas vezes na sexta-feira. Restou, no final, apontar como culpado um contador, que teria esquecido de incluir na declaração ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AP) a casa onde o senador mora em Brasília.Equívoco foi o termo usado para explicar o recebimento do auxílio-moradia de R$ 3,8 mil mensais, apesar de ter imóvel próprio em Brasília. "Nunca pedi auxílio-moradia e, por um equívoco (da administração do Senado), a partir de 2008 começaram a depositar na minha conta", disse Sarney, em maio.

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