Para salvar tucano, oposição resolve não recorrer da decisão

Manobra é fruto de acordo informal com governistas para garantir absolvição de Arthur Virgílio no conselho

Eugênia Lopes e Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

20 de agosto de 2009 | 00h00

Movimento essencial no script do acordão, a oposição não deverá recorrer ao plenário do Senado da decisão do Conselho de Ética que resolveu engavetar ontem 11 ações por falta de decoro parlamentar contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), e uma representação contra o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio Neto (AM). A decisão da oposição é fruto de um acordo informal com os governistas, o qual permitiu que o tucano fosse absolvido por unanimidade no Conselho de Ética. Foram 15 votos pelo arquivamento da representação contra Arthur Virgílio, acusado de pegar emprestado dinheiro do ex-diretor geral do Senado Agaciel Maia e de pagar salário durante mais de um ano um funcionário de seu gabinete que morava no exterior. "Os assessores técnicos do Senado afirmaram que não cabe recurso da decisão tomada pelo conselho. O recurso seria mais um ato político", afirmou ontem o líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN). Apesar das divergências em sua bancada, os democratas votaram unidos pela a abertura de processo contra Sarney. Titular do Conselho de Ética, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) não apareceu na sessão sob a alegação de que faz parte da Mesa Diretora do Senado e, por isso, não se sentia à vontade de votar contra Sarney. Primeiro suplente no conselho, o senador Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA) justificou os laços históricos entre Sarney e seu pai para não aparecer na votação. Em seu lugar, a senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) seguiu a determinação do partido e votou pela abertura de processo contra o presidente da Casa. Apesar de comandar o Ministério do Trabalho e formalmente integrar a base do governo, o PDT votou contra Sarney. O senador Jefferson Praia (PDT-AM), suplente no conselho, substituiu o titular, João Durval (PDT-BA). Por suas ligações com o PMDB e o PT, Durval era considerado voto certo a favor de Sarney. O senador é pai do prefeito de Salvador, João Henrique (PMDB), e do deputado Sérgio Carneiro (PT). Nas cerca de quatro horas de duração da sessão do Conselho de Ética, Arthur Virgílio fez questão de apresentar sua defesa oral, antes de seu processo ser arquivado por unanimidade. Ele explicou que pagou do próprio bolso os salários do funcionário que estava lotado em seu gabinete, mas morava na Espanha - foram R$ 328 mil, segundo o tucano. Virgílio garantiu ainda ter pago também o empréstimo que pegou com Agaciel Maia com dinheiro que recebeu da restituição do imposto de renda, em 2005.

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