Para salvar Sarney, PMDB soltará ''rédeas'' da comissão

Estratégia do partido é poupar ANP e Petrobrás desde que denúncias contra senador fiquem sob controle

Eugênia Lopes e Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

11 de julho de 2009 | 00h00

O PMDB pretende manipular as investigações da CPI da Petrobrás de acordo com as denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). A ordem é impedir o avanço de qualquer apuração sobre eventuais irregularidades na estatal e na Agência Nacional de Petróleo (ANP), caso a sucessão de escândalos envolvendo Sarney fique sob controle. Mas se denúncias contra o presidente Senado ressurgirem, o PMDB vai "soltar um pouco as rédeas", conforme definiu liderança do partido, permitindo o aprofundamento das investigações sobre a estatal e a ANP. A estratégia que vem sendo montada pelos peemedebistas é tirar a qualquer custo o foco de José Sarney, nem que para isso seja necessário deixar a CPI avançar um pouco nas apurações. Com maioria absoluta na comissão de inquérito, o governo deu aval para PMDB tirar Sarney do centro da crise política, ao permitir a instalação da CPI da Petrobrás nesta terça-feira. A comissão só vai, no entanto, começar a funcionar em agosto, quando os parlamentares voltarão de recesso. Dos 11 integrantes da comissão, oito são da base aliada. O senador João Pedro (PT-AM) é cotado para presidir o inquérito, enquanto o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), é o provável relator. A oposição está insuflando a candidatura do senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) na expectativa de que o ex-presidente da República surpreenda o governo e permita que a oposição aprofunde as investigações. É nesse racha da base, com a eventual candidatura avulsa de Collor, que os oposicionistas estão apostando para conseguir vencer a maioria acachapante do governo na CPI. Os governistas também estão divididos sobre a conveniência ou não de eleger já nesta terça-feira o presidente e o relator do inquérito. Há um grupo que defende a escolha do comando da CPI apenas depois do recesso. Esta semana, a comissão seria apenas instalada, mas a escolha dos comandantes da investigação só ocorreria em agosto. Neste momento, a estratégia principal do governo passa pelo recesso parlamentar, que começa no fim desta semana. A expectativa é de que as férias dos senadores e deputados sirvam para esfriar tanto a CPI da Petrobrás como a crise política em torno de Sarney. "O recesso vai servir para abrandar ou não a crise, dependendo se novos fatos relevantes vão surgir", observou o senador Delcídio Amaral (PT-MS). Já a oposição aposta todas as suas fichas na comissão. "A CPI da Petrobrás é o elemento da oposição no segundo semestre. Ela até pode esfriar nesse recesso, mas depois ela volta com tudo de novo", afirmou ontem o líder do DEM, José Agripino Maia (RN). "Houve crises em que se esperou o recesso parlamentar para que elas fossem solucionadas e quando os parlamentares voltaram para o Congresso foi pior", disse o primeiro secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI). Ele lembrou que, em 2007, a expectativa era de que a crise envolvendo o então presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL)amainasse durante o recesso do meio do ano. Mas isso não ocorreu. "Não podemos esquecer que no recesso, durante 15, 20 dias, os parlamentares ficam em suas bases ouvindo os eleitores", alertou Fortes. OPINIÃO PÚBLICANão é apenas a oposição que defende a apuração de eventuais irregularidades na Petrobrás e na ANP. Pesquisa feita pelo DataSenado, canal de avaliação e desempenho da Casa, apontou que a maioria (84%) dos entrevistados defende a investigação da estatal. Grande parte (67,1%) dos entrevistados considera que a CPI da Petrobrás pode ajudar a solucionar eventuais irregularidades que forem apuradas na estatal. A pesquisa foi feita pelo 0800 e realizada em junho, quando foram ouvidas 1.277 pessoas, em 81 municípios, entre os quais as 27 capitais e o Distrito Federal.

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